
Estudo aponta que em algumas áreas do Arquipélago do Bailique a erosão avança dez metros por ano
Desde 2015 o Estado monitora os efeitos do fenômeno “terras caídas” no Arquipélago do Bailique. Esse acompanhamento resultou em um banco de dados com informações científicas, ambientais e sociais, dos danos já causados e dos que poderão ocorrer daqui 30 anos. Esse estudo será a base das estratégias de intervenções do governo na região, tanto de forma emergencial, quando a médio e longo prazo, que serão construídas com a participação dos moradores.
Em três anos de acompanhamento, foram monitoradas 21 comunidades afetadas do Bailique. O estudo – que cumpre determinação do Ministério Público Federal (MPF) de 2015 -, foi realizado em parceria entre o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), Instituto do Meio Ambiente e de Ordenamento Territorial do Amapá (Imap), com apoio da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) e outros órgãos estaduais.
De acordo com o diretor de Pesquisa do Iepa, Patrick Cantuária, em algumas áreas, a erosão avança mais de 10 metros por ano, como na Vila Progresso e Vila Macedônia. “As informações levantadas são detalhadas e seguras, pois foi utilizada a Base Cartográfica do Amapá, que também possibilitou a projeção para daqui até 30 anos, do avanço do fenômeno na costa do arquipélago, onde as famílias residem”, frisou Cantuária, acrescentando que, apesar de já haver informações aprofundadas e precisas, o monitoramento na região prossegue.
Estratégias
O coordenador estadual de Defesa Civil, coronel Wagner Coelho, pontuou que o Estado terá duas frentes de trabalho. A primeira, com ações emergenciais, visto a decretação de Situação de Emergência pelo Estado para os municípios de Macapá e Itaubal.
O decreto abrange áreas consideradas as mais prejudicadas, sendo quatro comunidades no Bailique (Vila Progresso, Macedônia, Igarapé Grande do Curuá e São Pedro) e, no município de Itaubal, a vila de Igarapé Novo. Segundo levantamento da Cedec, nessas regiões há 168 edificações (entre casas e empreendimentos) atingidas pelo fenômeno, o que corresponde a 715 pessoas afetadas.
Também foram atingidas quatro escolas; um posto de saúde; um posto da Companhia de Água e Esgoto do Amapá; 84 postes de energia que ameaçam cair; 1,5 mil metros de passarelas e 85 metros de pontes.
As intervenções a curto prazo são no sentido de garantir a essas pessoas o acesso aos serviços públicos básicos, como água, energia elétrica, saúde, educação, e segurança na morada.
A médio e longo prazo, segundo o titular da Cedec, o governo prevê a realocação dessas famílias para áreas seguras, visto que o fenômeno natural é contínuo e se agrava cada vez mais. “O remanejamento das comunidades e de equipamentos públicos [como escolas e postos de saúde] levará em consideração as projeções previstas pelo estudo realizado, e também respeitando a cultura dos moradores, questões ambientais e outros aspectos importantes”, explicou Coelho.
Para realocar essas famílias, o Executivo Estadual buscará apoio com o governo federal. “Para esta segunda frente de trabalho, provocaremos os ministérios competentes para captar recursos”, acrescentou Wagner Coelho.
Os resultados do monitoramento e as ações que o governo pretende executar a curto, médio e longo prazo, serão pautas do diálogo entre a força-tarefa do Governo do Amapá e a população do Bailique no próximo dia 10, em uma audiência pública na Vila Progresso, em que a comunidade poderá sugerir ações, esclarecer dúvidas e colaborar com o trabalho do Estado.
Terras caídas
Este é um fenômeno natural de erosão da margem fluvial. É o processo de desgaste das margens do rio, causado pelo fluxo de suas águas e pelas fortes chuvas que transportam pedaços de solo - ou de rocha - deteriorados (processo de sedimentação), resultando no deslizamento de terra.
- Local
- Itaubal
- Leituras
- 0 leituras
Receba notícias no seu e-mail →
Relacionadas

COMUNICAÇÃO
‘Hoje consigo entender o que está acontecendo com a minha saúde", diz mãe surda após viver gestação com apoio de intérpretes do Cilsaúde

COMUNICAÇÃO
'Dicas de ouro para quem empreende', diz participante do ELAS 2026 sobre temáticas abordadas na primeira noite do evento

COMUNICAÇÃO
Nota de pesar pelo falecimento do artista amapaense Amadeu Lobato

COMUNICAÇÃO






.jpg)