
O nascimento de Ayron Juracy da Silva Araújo, no último dia 8 de julho, marcou o início de uma nova etapa na vida de Ocimar Silva e Marcicleide Araújo, casal surdo morador de Santana. Embora o parto tenha acontecido dentro do carro de um amigo, a caminho do Hospital da Mulher Mãe Luzia (HMML), em Macapá, a história ganhou um significado ainda maior pela rede de acolhimento construída durante toda a gestação.
Muito antes do bebê chegar ao mundo, a família já havia encontrado um apoio que transformou a forma como enfrentava os desafios da saúde pública. Durante anos, a barreira da comunicação tornou consultas médicas sinônimo de insegurança para o casal. A mudança começou no pré-natal, quando Marcicleide foi orientada por uma amiga surda a procurar o serviço da Central de Tradutores e Intérpretes de Libras da Saúde (Cilsaúde), criada há exato um ano, pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).
A partir do primeiro atendimento, intérpretes passaram a acompanhá-la em consultas, exames, ultrassonografias e em todas as orientações médicas, garantindo que ela compreendesse cada etapa da gravidez e pudesse esclarecer dúvidas sempre que necessário.
"As intérpretes sempre estiveram comigo. Tudo o que eu precisava, elas explicavam e me ajudavam em cada etapa da gravidez", contou Marcicleide, por meio da intérprete do serviço, Estela Dias.
No dia do parto, o apoio também esteve presente. Mesmo com o nascimento inesperado de Ayron durante o trajeto até a maternidade, a equipe de intérpretes já havia organizado uma escala para acompanhar a família na internação e assegurar que todas as informações fossem transmitidas com clareza.
Autonomia e segurança
Para Marcicleide, a assistência representou muito mais do que tradução em Libras: significou autonomia e segurança para viver a maternidade.
"Antes eu não tinha essa acessibilidade. Hoje consigo entender o que está acontecendo com a minha saúde e isso me deixa muito tranquila, ainda mais agora, com o meu filho. Ele nasceu com audição, mas eu, mãe, preciso saber de tudo o que ocorrerá a ele nas futuras idas ao médico, quando necessário", afirmou.
Hoje, Ocimar e Marcicleide celebram uma realidade completamente diferente. Sem depender exclusivamente de familiares para compreender diagnósticos ou tratamentos, o casal vive a chegada do primeiro filho com mais confiança.
"Eu agradeço a Deus por esse serviço existir. Ele tirou a preocupação de depender de outras pessoas para me comunicar. É um alívio", disse a mãe de Ayron. A história da família simboliza não apenas o nascimento de uma criança, mas a importância de uma saúde pública que rompe barreiras, promove inclusão e garante um atendimento verdadeiramente humanizado às pessoas surdas.
Serviço:
Para solicitar o serviços da Central de Intérpretes de Libra da Saúde (Cilsaúde), o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) deve acionar agendar, antecipadamente, o acompanhamento pelo WhatsApp: (96) 99124-6517.
Júnior Nery - Assessor de Comunicação/Sesa - (96) 98127-1559
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