
Josenilma Silva aprendeu a lidar com a síndrome e, hoje, entende o filho pelo olhar; Vinícius já tem a carteira que concede benefícios aos autistas
Cada um com a sua história e todos unidos num “mundo diferente”. Na terça-feira, 23, na abertura da I Semana Azul TEAcolho do Super Fácil, o público se emocionou e ouviu atento os dramas e vitórias de familiares de pessoas com autismo. Os depoimentos fecharam a programação do primeiro dia do evento, que segue até sexta-feira, 26, com brincadeiras e gincanas, para crianças e jovens autistas, bate-papos e momentos de beleza e relaxamento para as famílias.
“Eu vivi o luto”. Foi como classificou a professora Josenilma Silva de Souza, 30 anos, ao referir-se ao momento de descoberta da síndrome do filho, Vinícius Klark, hoje com 3 anos.
A professora conta que descobriu o Transtorno de Espectro do Autismo (TEA) quando Vinícius tinha 8 meses de vida. Ela diz que o filho dava sinais, como não interagir, apresentar dificuldade na linguagem e com brincadeiras. “Foi então que o pediatra suspeitou, e mais tarde, confirmamos o diagnóstico”, lembra.
Josenilma e Vinícius foram abandonados pelo pai da criança, quando houve a suspeita da síndrome. “Mas eu sabia que precisava continuar, por ele. Meu filho precisava de mim”, enfatiza, e completa: “Vivi um momento de luto. Perdi uma criança para a qual eu me preparava, mas ganhei outra”.
Josenilma diz que aprendeu a lidar com a síndrome, e que, hoje, entende o filho pelo olhar. Assim como as demais mães, a professora reforça a importância da aceitação e inclusão. “Nós é que temos que entender o mundo deles”, finaliza.
A mesma percepção tem a oficiala de Justiça Artilamar Quintas, mãe do João Pedro, o jovem talento que emocionou a todos na abertura da Semana TEAcolho do Super Fácil, tocando em seu piano canções como “Aquarela” e “Pérola Azulada”, esta, do músico amapaense Zé Miguel. “Hoje, vemos o mundo totalmente diferente, pelos olhos do João”, diz Artilamar.
Ela também deu seu depoimento durante a cerimônia, se emocionou e emocionou a todos ao lembrar a descoberta da síndrome, quando o filho tinha 3 anos de idade. “Fiquei uma semana trancada no quarto, chorando. Depois, arregaçamos as mangas e buscamos o que deveria ser feito”, lembra a mãe.
Hoje, João Pedro é pianista e praticante de jiu-jitsu. Ele estuda no 1º ano do ensino médio em uma escola privada de Macapá. “Ele não tem limites, aceita e vence todos os desafios”, elogia a mãe do jovem.
Além dos depoimentos, familiares de autistas terão durante toda a semana, atendimentos psicológicos, rodas de conversas, sessões de beleza e relaxamento, na programação que tem como finalidade proporcionar diversão às crianças e jovens autistas, e também acolhimento às famílias.
A Semana TEAcolho está sendo desenvolvida na unidade da zona oeste do Super Fácil, onde, há um ano, foi implantado o serviço de emissão de carteiras de identificação do autista.
Vinícius e João Pedro são cadastrados no Super Fácil e possuem a carteira de identificação do autista. O documento garante direitos às pessoas com o Transtorno de Espectro do Autismo e seus familiares.
Nesta quarta-feira, 24, durante todo o dia, foram realizadas atividades lúdicas e educativas para as crianças e jovens autistas, e conversas e atendimentos psicológicos para as famílias.
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