
Palestra reuniu centenas de jovens para debater um assunto relevante e delicado, que requer atenção de todos
A jovem Priscila Gomes, 21 anos, moradora de Pedra Branca, foi apenas uma das centenas de pessoas que participaram de um momento muito importante para a comunidade na última quarta-feira, 30. A Secretaria Extraordinária de Políticas para Juventude (Sejuv) realizou um grande encontro com diversos jovens para debater assuntos delicados como prevenção e combate ao suicídio.
Dois casos de suicídios entre jovens foram registrados em Pedra Branca no primeiro mês do ano. Priscila relatou que o assunto é importante e deve ser tratado como prioridade pelo poder público. “Somos jovens, precisamos de ações como essa, hoje, tenho certeza que a maioria desses adolescentes saiu daqui com uma visão diferente sobre a vida; eu mesma passarei a dar mais atenção aos meus amigos, sejamos irmãos uns dos outros e, assim, todos nós viveremos felizes”, contou, com alegria, a jovem.
Para o secretário extraordinário de Políticas para a Juventude, Pedro Filé, o momento é delicado e precisa de atenção absoluta. “São pessoas puras e que precisam de um cuidado maior; às vezes, um abraço, um carinho, valem muito mais que um tratamento. A ideia é levar essas ações da secretaria para os dezesseis municípios, sabemos que muitos jovens precisam dessas palestras e nada mais justo que trabalhar com projetos de valorização a vida”, destacou o gestor.
O jovem Paulo Rodrigo, 17 anos, responsável pelo Projeto Sorriso de Papel, foi um dos palestrantes e contou um pouco da sua experiência de vida. “É importante que todo mundo saiba que as pessoas têm risco, as pessoas que falam em suicídio tentam também. Então, quando a pessoa falar, é preciso saber que ela está sofrendo, está pedindo ajuda e temos que saber como agir. Não é só conversar, precisa fazer um tratamento, ajuda, atenção, carinho e até mesmo um simples abraço, podemos salvar vidas com isso”, afirmou o jovem.
Estatísticas
O suicídio é a quarta maior causa de morte entre os jovens de 15 a 29 anos no Brasil, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), de 2014. Em todo o mundo, entre os jovens, a morte por suicídio já é mais frequente que por HIV. Entre idosos, assim como entre pessoas de meia-idade, os índices também avançam.
Dados da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS) apontam que, entre os anos de 2015 a 2017, foram registrados 154 casos de suicídio no Amapá. Em relação às tentativas de suicídio, os dados revelam aumento de 308%, o que levou a SVS a emitir um alerta sobre o problema, no fim do ano passado.
Assistência
O Estado possui uma estrutura de atendimento à saúde mental: a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e o trabalho de assistência e acolhimento para os casos que são identificados nas unidades hospitalares. Eles são direcionados para os Centros Psicossociais (Caps) que também recebem os casos de apoio à população que procura o serviço. O acolhimento é feito à vítima e também aos familiares.
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