
Urnas e outros materiais já foram identificados nas escavações na comunidade de Santa Luzia do Pacuí
Em cumprimento à legislação brasileira que exige a orientação e resgate arqueológico em obras públicas, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), junto ao Núcleo de Pesquisa Arqueológica, está trabalhando no acompanhamento do Programa de Mobilidade Urbana na rodovia AP-70. O trabalho iniciou no mês de outubro no perímetro da comunidade de Santa Luzia do Pacuí, a 113 km de Macapá.
As atividades de resgate no local fazem parte do projeto “Resgate Arqueológico e Educação Patrimonial ao longo da Rodovia AP - 070”, resultado de um convênio firmado entre o Iepa e a Secretaria de Estado de Transportes (Setrap). O licenciamento arqueológico prévio realizado em obras de infraestrutura do Governo do Amapá abrange a construção de rodovias estaduais, obras de mobilidade urbana e conjuntos habitacionais, e atende pela identificação, registro e salvamento de muitos sítios e seus materiais arqueológicos.
O diretor-presidente do Iepa, Wagner da Costa, explica que em Santa Luzia do Pacuí, o sítio arqueológico é conhecido há duas décadas, a partir de artefatos, utensílios de cerâmica e as urnas afloradas na superfície que despertam a curiosidade dos moradores e visitantes que passam pela comunidade. A identificação desses materiais está sendo em realizada em parceria com os próprios moradores de Santa Luzia.
De acordo com o gerente do Núcleo de Pesquisa Arqueológica do Iepa, Lúcio Leite, já foram identificadas pelo menos 26 urnas funerárias no sítio de Santa Luzia do Pacuí. Para ele, a quantidade e expressividade desses materiais demonstram que a área foi habitada por grupos indígenas que dominavam a pesca, a agricultura e tecnologias da fabricação da cerâmica.
“As escavações no sítio também demonstram a prática de sepultamentos em urnas funerárias cerâmicas, uma prática também identificada em vários outros sítios arqueológicos no estado do Amapá”, afirmou Leite.
Além de acompanhar e realizar o resgate do material arqueológico que seria destruído pelas obras ao longo da rodovia, o projeto inclui a realização de ações de educação patrimonial junto às comunidades da região, como atividades em escolas, reunião com os moradores, oficinas e exposições. Algumas dessas atividades já estão em andamento desde o final de 2016.
A pesquisa ainda está andamento. Após o processo de escavação em campo e as análises em laboratório, incluindo a higienização, registro e demais atividades, todos os materiais serão catalogados para integrar a reserva técnica do Iepa. As pesquisas arqueológicas, de acordo com orientação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), não inviabilizam as obras de pavimentação em andamento na Rodovia AP-070.
Sítios arqueológicos
O Estado do Amapá possui o registro de pelo menos 550 sítios arqueológicos mapeados nas regiões sul, norte e central do Estado.
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