
“Eu passei sete meses e quinze dias para fazer essa caravela”. É com a simplicidade de quem conhece bem o ofício que o artesão Rômulo Bispo conta a história da peça que tem chamado a atenção de quem circula pela Expofeira 2026.
Instalada no Território das Artes, espaço localizado do lado de fora da Galeria R. Peixe e de frente para o Palco AfroAmapá, a grande caravela de madeira se tornou uma das obras mais fotografadas do estande. De longe, chama atenção pelo tamanho.
De perto, surpreende pela quantidade de detalhes: velas, mastros, cordas, pequenas estruturas e acabamentos que revelam o trabalho minucioso de quem passou meses transformando madeira em uma embarcação que parece saída de um antigo cenário de aventuras.
A exposição integra a Expofeira 2026, realizada pelo Governo do Estado do Amapá, que coloca a produção dos artistas e artesãos amapaenses em contato direto com o público.
Rômulo conta que a vontade de construir uma caravela surgiu há muito tempo, alimentada pelo gosto por filmes de piratas e histórias antigas. O projeto começou a ganhar forma no fim do ano passado. A partir daí, cada etapa exigiu pesquisa, observação e muitos testes até encontrar a maneira certa de curvar e encaixar as peças de madeira.
“Eu fui fazendo, fui olhando devagar, aos poucos, aos poucos fui montando”, conta o artesão.
O resultado é quase um quebra-cabeça. Cada parte precisa encontrar seu lugar para que a estrutura ganhe forma. A madeira passa por cortes, encaixes e curvaturas, enquanto cordas e outros materiais ajudam a compor a embarcação. O trabalho exige paciência e precisão, características que acompanham Rômulo há mais de três décadas.
A relação com o artesanato começou com pequenas embarcações de madeira colocadas dentro de garrafas. Com o tempo, ele buscou novas técnicas, observou outros trabalhos e passou a experimentar diferentes materiais. Hoje, além da madeira, utiliza cordas e itens recicláveis na criação de peças decorativas.
O artesão também chama atenção pela forma como transforma objetos e referências em novas possibilidades. Entre as peças expostas estão relógios, pequenas embarcações, objetos decorativos e outras criações que ganham formas inusitadas a partir da madeira trabalhada.
Em comum, elas carregam o mesmo cuidado. São peças que exigem olhar atento para perceber detalhes que, muitas vezes, passam despercebidos à primeira vista.
“Valeu, valeu a pena”, garante Bispo. E talvez seja justamente essa sensação que explica o movimento diante do estande. Visitantes param, observam, fazem fotos e tentam descobrir os detalhes escondidos na grande caravela.
A obra, que já despertou propostas de compra, também cumpre outro papel: apresenta ao público um pouco da trajetória de um artista que encontrou na madeira uma forma de criar, experimentar e contar histórias.
Para Rômulo, participar da Expofeira é também uma oportunidade de estar ao lado de outros artistas e mostrar o resultado de anos dedicados ao artesanato.
Quem quiser conhecer outras criações do artesão pode acompanhar o trabalho pelo Instagram e Facebook, no perfil @romolobispo.
Assessoria de comunicação do governo do estado do Amapá
Lucas Mota - 96 99158-7392
Fotos: Márcia do Carmo/GEA
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