
Milhares de pessoas acompanharam o percurso do bloco, pelas ruas e avenidas de Macapá. Tradição de 52 anos
A terça-feira gorda de carnaval para os amapaenses é sempre muito animada. Principalmente, por causa do desfile do tradicional A Banda que é o maior "bloco de sujos" do Norte do país. De acordo com a organização do evento, pelo menos 160 mil pessoas prestigiaram o evento, desde a concentração, na Praça Veiga Cabral, até o encerramento, na Praça do Barão.
A brincadeira é muito simples: homem se veste de mulher, mulher se veste de homem, as pessoas se fantasiam de super-heróis e assim os foliões vão se divertindo ao longo das ruas da cidade num grande bloco de pessoas comemorando e cantando músicas do carnaval e outros hits do momento.
O artista plástico Meira Vaz se reuniu junto com alguns amigos e decidiu sair na Banda vestido no estilo tradicional dos Emirados Árabes. De acordo com ele, a intenção foi fazer uma brincadeira tento como referência o distrito do Bailique, em Macapá.
"É comum brincarmos com Dubai, sempre brincamos que somos de ‘Dubailique’ e todos os anos eu e meus amigos saímos assim na Banda. Lembrando que a intenção é sempre se divertir e brincar", finalizou o artista destacando a brincadeira.
Bonecões
Os bonecões são a marca do bloco de sujos. De acordo com a organização, os adereços são homenagens às pessoas que tradicionalmente ajudaram com a história no bloco: Arizinho, Cutião, Chicona, Iracema e Wanderlei.
A jovem Maria Sofia, de 9 anos de idade, e a sua mãe, Claudia de Assis, sempre ficam esperando A Banda passar pelo bairro do Trem. Os bonecos grandes e enfeitados são os preferidos de Sofia.
"Mamãe sempre me traz e eu gosto muito de ver a Banda. Os bonecões são legais e eles nunca param de dançar", comentou a menina com empolgação.
A Banda
José Figueiredo Souza, de 77 anos, conhecido como “Savino”, organizador geral do evento, contou que A Banda foi criada em Macapá no ano de 1965, por um grupo de amigos que saiu pelas ruas da cidade para comemorar a data em meio a um cenário histórico da ditadura militar. ?
“Foi uma brincadeira que hoje é levada a sério e faz parte da cultura do Amapá. A Banda recebeu o título de ‘Patrimônio Cultural de Macapá’ e ‘imaterial’ do estado, e por isso, não devemos deixar essa tradição morrer. Estou muito feliz por mais uma edição e o sucesso foi garantido, pelo menos 160 mil pessoas participaram”, finalizou Savino.
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