
Governador Clécio Luís recebeu membros do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e autoridades francesas
Na abertura da 13ª Comissão Mista Transfronteiriça Brasil-França, que está sendo realizada no Amapá desde a terça-feira, 11, o governador Clécio Luís vem dialogando com membros do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e autoridades francesas sobre o cumprimento das exigências para avançar na cooperação entre a população de Oiapoque e de Saint Georges, para o campo institucional.
No discurso de abertura do evento, Clécio Luís destacou a integração para o crescimento econômico e pontuou o que acredita e não acredita na construção e no fortalecimento da fronteira.
Confira o discurso do governador Clécio Luís na íntegra:
Cumprimentos iniciais.
Sejam todos bem vindos!
Tenho a satisfação de recebê-los no Amapá e de estarmos juntos para a realização da 13ª Comissão Mista Transfronteiriça Brasil-França. No ano passado estivemos na cidade de Caiena, na Guiana Francesa, para retomarmos este importante encontro entre o Brasil e a França. Eu acredito no valor de compartilharmos durante estes dias a mesma mesa, nos olharmos nos olhos, apertarmos as mãos uns dos outros, e falarmos sobre nós e o que juntos podemos ser.
Temos a responsabilidade com nossos povos, de vê-los conviver em harmonia, de criarmos oportunidades de crescer e sonhar. Eu acredito no governo que podemos ser, porque acredito na sociedade que somos, movida pelo desejo de seguirmos todos sem deixar ninguém para trás e sem querer ultrapassar ninguém.
Eu sonho com tudo aquilo que podemos nos tornar no lugar em que estamos. Somos amazônidas. O importante desta palavra – amazônidas – é que ela pode descrever tanto alguém do Amapá, como da Guiana Francesa.
Somos unidos pelo Planalto das Guianas, a terra nos pés do povo do Amapá é a mesma nos pés franceses que moram na Guiana Francesa. Assim também é verdade para o calor e a umidade. Na pele sentimos o mesmo, por isso sei que podemos entender uns aos outros.
O Amapá tem o compromisso de se manter o estado mais preservado do Brasil, e temos toda a satisfação de sermos vizinho da Guiana Francesa que também tem alta taxa de sua natureza preservada. Temos o desafio de mantermos a preservação e trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável, e tenho a convicção de que este caminho será mais fácil se trabalharmos juntos, cooperando internacionalmente, em nome da nossa natureza e do desenvolvimento econômico.
O planalto das Guianas é uma das áreas mais preservadas da Amazônia e do mundo, região vital para a vida na terra. Dividimos a responsabilidade de preservar e se desenvolver.
Já falei muito sobre o que acredito, mas quero ressaltar também o que não acredito.
Não acredito que podemos avançar de costas uns para os outros, não acredito que somos melhores se não nos conhecermos e não convivermos. O crescimento econômico possível é feito com integração e proximidade. Há de chegar o dia em que poderei estar diante de uma prateleira de mercado em que o que vejo poderia ser em Macapá ou Caiena, produtos do Amapá e da Guiana Francesa dividindo a mesma prateleira.
Há de chegar o dia em que em um mesmo jantar, beberemos vinho e gengibirra e isso não será mais estranho. Há de chegar o dia em que a Comissão Mista Transfronteiriça Brasil-França será um grande exemplo de como povos vizinhos compartilharam suas vivências e encontraram o que os unia, e assim construíram o valor de uma fronteira que não significa dividir e afastar, mas unir, crescer e aprender com uma cultura diferente.
Quero mais uma vez cumprimentar as duas delegações aqui presente, cada um nesta sala realiza algum trabalho que pode nos unir mais. Digo – em especial – a cada um dos membros da delegação amapaense que se empenhem muito aqui nestes dias, e depois desses dias, não esqueçam dos horizontes que construímos aqui. O desenvolvimento do Estado do Amapá passa por fazer parte do mundo, integrado, competitivo, moderno e humano.
Do mesmo modo, agradeço o empenho daqueles que representam instituições do Governo Federal. A presença de vocês é muito importante para nós, e sou grato pela atenção que vocês têm nos dado se fazendo presente aqui no dia de hoje em uma expressiva delegação.
À delegação francesa, deposito minha fé de que temos o mesmo propósito, cada vez que eu disse "nós" neste discurso falei sobre brasileiros e franceses. Não coube o uso das palavras “nós” e "eles", muito menos "nós" contra "eles".
A posição que ocupo, de governador do Amapá, não me permite ir ao trabalho sem ter a coragem de assumir compromissos, e meu compromisso deve ser o compromisso de um governo. Penso que sairei daqui mais responsável e com mais compromissos do que quando entrei. Assim como toda minha equipe.
Não imagino que deve ser diferente para alguém nesta sala. Todos nós nos dispusemos ao diálogo e sabemos que deles virão tantos outros.
Por fim, o que vejo daqui de onde estou é aqueles que não podem mudar o mundo, mas podem mudar parte dele, a nossa parte. Desejo toda a sabedoria a todos para confraternizarmos as nossas diferenças e construirmos nossas convergências em nome de todos nós.
Obrigado!
Clécio Luís Vilhena Vieira
Governador do Estado do Amapá
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