sábado, 17 de outubro de 2026

COMUNICAÇÃO

Ciclo do Marabaixo 2024: ‘Almoço dos Inocentes’ simboliza pagamento de promessa à Santíssima Trindade

Uma das cenas mais simbólicas da programação que recebe apoio do Governo do Amapá, ocorreu no Barracão Gertrudes Saturnino.

Gabriel Penha
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Almoço dos Inocentes realizado pelo grupo Berço do Marabaixo, no domingo, 26
Almoço dos Inocentes realizado pelo grupo Berço do Marabaixo, no domingo, 26 · Foto: Gabriel Penha

Crédito: Gabriel Penha/GEA e Arquivo/SecomAlmoço dos Inocentes realizado pelo grupo Berço do Marabaixo, no domingo, 26

As crianças reunidas à mesa e servidas pelos marabaixeiros formaram umas das cenas mais simbólicas dentro da programação do Ciclo do Marabaixo, que recebe apoio do Governo do Amapá. O "Almoço dos Inocentes" não se trata de um simples ritual, mas de uma herança de família e foi realizado no domingo, 26, no Barracão Gertrudes Saturnino, sede do grupo Berço do Marabaixo, na Favela (Santa Rita). 

O almoço surgiu com a dona Gertrudes Saturnino, uma das precursoras da tradição do marabaixo. Ela fez uma promessa à Santíssima Trindade para que a filha, Natalina Costa, pudesse ser mãe, após dificuldade para completar as gestações. Se a graça fosse alcançada, a matriarca prometeu realizar anualmente o Ciclo do Marabaixo na Favela e o almoço para as crianças, para simbolizar a pureza dos pequeninos e prestar homenagem à Santa Ceia de Jesus Cristo e à Santíssima Trindade.

Natalina deu à luz a 12 filhos, formando uma família que até os dias de hoje é uma das que protagonizam a luta pela manutenção da tradição do marabaixo. Hoje, filhos, netos, bisnetos e tataranetos de Gertrudes continuam o legado da matriarca.

"É um dos momentos mais especiais dentro do Ciclo do Marabaixo. Hoje, mantemos a tradição deixada pela matriarca Gertrudes, num ato de amor à filha. Uma mistura de fé, tradição e resistência”, diz Valdinete Costa, um dos 12 filhos de Natalina.

Crédito: Gabriel Penha/GEA e Arquivo/Secom

Ciclo do Marabaixo 2024

Com o tema: "O rufar dos tambores para além da tradição", as celebrações promovem um verdadeiro encontro de gerações e reúnem a comunidade em momentos de fé e resistência. A programação iniciou no dia 30 de março (Sábado de Aleluia) e segue até o próximo domingo, 2 de junho, o chamado “Domingo do Senhor”, após a celebração de Corpus Christi.

No sábado, 1º de junho, acontece a derrubada dos mastros nas comunidades de Casa Grande (Barracão Santíssima Trindade) e Campina Grande (Barracão Jesus, Maria e José). No domingo, 2, os mastros serão derrubados nos barracões Gertrudes Saturnino (Berço do Marabaixo), Dica Congó (Raízes da Favela), Tia Biló (Raimundo Ladislau) e Marabaixo do Pavão.

A tradição é fomentada pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult) e pela Fundação Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Fundação Marabaixo).

Crédito: Gabriel Penha/GEA e Arquivo/Secom

Central do Marabaixo

A tradição, a cultura e a ancestralidade afro-amapaenses também foram celebradas pelo Governo do Estado com a Central do Marabaixo. Com direito a muita música e dança, o evento encantou o público no Centro de Cultura Negra Raimunda Ramos, em Macapá.

No espaço, os amapaenses e turistas conheceram a história e os elementos da cultura negra do estado, como a gengibirra, o cozidão, bandeiras, mastros, a murta e outros símbolos da expressão cultural criada e mantida pelas comunidades.

 

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