
Quem passou pelo local, conheceu um pouco da cultura, gastronomia e dança das comunidades afros
O som das batidas energizantes das caixas de marabaixo e batuque deu início ao 28º Encontro dos Tambores, em Macapá, na sexta-feira, 17. Além de celebrar o reencontro dos povos negros do Amapá, o evento também abre as portas para os turistas que buscam conhecer a cultura africana que se estabeleceu e se perpétua até hoje no estado.
O antropólogo Cássio Figueiredo, de Minas Gerais, está pela terceira vez acompanhando as celebrações. Para ele, que tem como religião o Candomblé, a abertura deste ano foi ainda mais especial, pois agregou a espiritualidade dos povos ao encontro. O rapaz acompanhou algumas das apresentações e a exposição Sankofa, que traz um resgate histórico de personalidades negras do Amapá.
"As pessoas naturalmente têm uma curiosidade sobre as religiões de matriz africana e eu sempre fui muito impressionado pela quantidade e intensidade da cultura afrodescendente aqui, porque é um estado relativamente pequeno, mas que agrega vários terreiros de Umbanda, de Candomblé, de Tambor de Mina, uma manifestação pública dessas, com tanta gente, é uma forma de mostrar o que somos para quem não conhece", explica o antropólogo.
Para a primeira noite do evento, uma programação voltada às religiões de Matriz Afro foi realizada integrando os povos de terreiro do Amapá. Quem passou pelo local, vislumbrou a cultura afro-amapaense em seu sincretismo religioso, com espaços representativos das comunidades tradicionais, como a exposição Sankofa e o "Gengibar", montado para as celebrações e recepção das comunidades.
Provando a tradicional gengibirra, o antropólogo Bruno Nascimento, de Porto Alegre, aproveitou pela primeira vez o Encontro dos Tambores. O turista destacou a beleza da festa, além da composição de uma manifestação cultural única.
"É minha primeira vez vendo o Encontro dos Tambores, me falavam que era muito bonito e estou tendo a sorte de estar aqui para ver a influência negra do Amapá, algo que eu não conhecia, está sendo único. Já havia visto essa manifestação do povo negro em outras regiões, mas nunca dessa maneira", conta o visitante.
28º Encontro dos Tambores
O 28º Encontro dos Tambores é uma realização da União dos Negros do Amapá (UNA) com o Instituto Cultural Língua Solta e Grêmio Recreativo Piratas Estilizados. O Governo do Amapá é patrocinador do evento, que também conta com apoio da ex-deputada estadual, Cristina Almeida e do vereador Dudu Tavares, que destinaram recursos de emenda para a festividade.
Ao longo de dez dias, o evento reúne uma variedade de expressões artísticas, como o marabaixo, batuque, sairé, zimba, capoeira, hip hop e reggae, além de praça de alimentação e feira do empreendedor. Também haverá debates sobre igualdade racial, além de atrações nacionais.
Em 2023, o evento conta com grupos dos 16 municípios, com hospedagem, alimentação, deslocamento e cachê pagos integralmente pela gestão estadual.
- Área
- Igualdade Racial
- Local
- Porto Grande
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