
A capacitação garante aos povos indígenas a autonomia para se apropriarem dos seus processos de ensino e aprendizagem escolar
O Governo do Amapá iniciou nesta segunda-feira, 16, a formação de novos professores indígenas, desta vez na terra indígena Parque do Tumucumaque e Rio Paru d'Este. Ao todo, são 96 inscritos na capacitação que, futuramente, irão lecionar nas mais de 30 escolas da região.
Para a secretária de estado da Educação, Sandra Casimiro, o curso atende um anseio antigo dos indígenas, além de garantir uma educação de qualidade e inclusiva culturalmente, para os povos que habitam o Tumucumaque.
“O curso é uma valorização da educação indígena. Buscamos capacitar e formar professores que falam os idiomas indígenas e tem propriedade cultural, fomentando assim a valorização da língua, educação e contexto cultural desses povos”, enfatizou Sandra.
Das etnias Apalai e Waiana, localizadas no Rio Parú, que fica ao leste do parque, mais especificamente na aldeia do Bona, 50 alunos estão inscritos na formação. Outros 46 são das etnias Kaxuyana e Tiriyó, no Rio Parú, mas do lado oeste, na aldeia da Missão Tiriyó.A programação pedagógica do curso, coordenado pelo Núcleo de Educação Indígena (NEI) da Seed, é dividida em dois blocos corridos de 45 dias, sendo o primeiro de 25 dias, com 4 disciplinas, e o segundo de 20 dias, com 3 disciplinas.
O planejamento da Secretaria de Estado da Educação (Seed) inclui 50 dias de atividades, mais 5 dias finais reservados para a realização da certificação com previsão para o fim de novembro e início de dezembro, respectivamente, Bona e Missão Tiriyó.
A professora e indígena, Cecília Awaeko Apalai, destaca a importância da capacitação para os povos que habitam o parque.
“Essa formação é muito esperada por nós indígenas. Teremos a oportunidade de trabalhar nas nossas próprias comunidades em nossa língua materna. Além disso, é geração de emprego e garantia de educação”, disse a professora.
Os futuros professores terão aulas nos três turnos com conteúdos interdisciplinares, que compreendem, alfabetização, língua portuguesa, língua materna, química, matemática e geografia, ciência, política e legislação. Cada professor terá mais de 200 horas de aula até o término do curso.
Formação indígena
A Secretaria de Educação administra 54 escolas indígenas do Amapá e Norte do Pará, que funcionam no sistema regular e modular, atendendo mais de 4,6 mil estudantes.
Este ano, o Governo do Estado já garantiu a formação de indígenas da etnia Wajãpi, no município de Pedra Branca do Amapari. Ao todo, 56 formandos foram habilitados em março para atuar como professores de séries da Educação Infantil e Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano.
Com a nova turma, até o final do ano, a Seed terá formado 152 novos professores indígenas no estado.
O curso faz parte do Programa de Formação de Professores Indígenas Turé, do grupo Wajãpi. A ação garante ao povo indígena desta etnia a autonomia para se apropriarem dos seus processos de ensino e aprendizagem escolar.
A formação ocorre em parceria com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (IEPE), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), caixa escolares da região leste e oeste do parque e Secretaria Estadual dos Povos Indígenas (SEPI).
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