
Dialogar com a comunidade é uma garantia de transparência
O Governo do Amapá realizou uma audiência pública na comunidade do Andiroba, em Tartarugalzinho, para dialogar junto à população local sobre os impactos gerados pelas atividades da empresa São Manoel Agrícola Ltda, que pretende realizar a plantação de 4 mil hectares de grãos na região.
O encontro aconteceu na sexta-feira, 22, e foi presidido pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema). O objetivo foi apresentar os resultados dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e dos Relatórios de Impacto Ambiental (Rima) referentes ao licenciamento da empresa agrícola.
Para a secretária do Meio Ambiente, Taísa Mendonça, a etapa da audiência pública é um momento para dar transparência e publicidade para o processo de licenciamento tanto para a população como para os empreendedores, fortalecendo o desenvolvimento sustentável do estado.
“É um momento dentro do processo de licenciamento em que o Governo do Estado ouve a comunidade e o empreendedor apresenta os objetivos do processo que ele está licenciando junto à Sema. Este processo é feito em conjunto com os órgãos de controle, é um passo importante para cada pessoa que deseja empreender no Amapá”, ressalta Taísa.
Na ocasião, os moradores tiveram a oportunidade de questionar o empreendimento sobre os impactos sociais, econômicos e ambientais que a plantação em larga escala irá trazer diretamente e indiretamente para a comunidade, como complementa o secretário adjunto de Meio Ambiente, Cássio Lemos.
“A audiência é um espaço democrático de escuta da comunidade para que ela pleiteie seus anseios, suas sugestões e suas dúvidas. Por meio dela, o Governo do Estado oportuniza o acesso a esses estudos de impactos para comunidade”, conta Lemos.
Morador de Tartarugalzinho há 18 anos, Raylan Guimarães conta que a escuta pública foi fundamental para a comunidade tomar suas decisões sobre os aspectos positivos e negativos do licenciamento.
“É bom ter a audiência pública para estimular a população do que é o certo e o que é errado. Por exemplo, se tiver um veneno que vai prejudicar o rio e agravar problemas. A comunidade já vai estar orientada a procurar soluções”, explica Guimarães.
Impactos socioeconômicos e ambientaisA São Manoel Agrícola trabalha com produção de grãos e alimentos, especialmente o plantio de milho. No futuro, tem o objetivo de implementar plantações de feijão, mandioca e açaí também na região de Tartarugalzinho.
Diretor da empresa desde 2016, Lucas Paes conta que existe uma boa relação do empreendimento com a comunidade. Com o licenciamento para o plantio de 4 mil hectares de grãos, a expectativa é gerar empregos e movimentar o comércio no município de Tartarugalzinho.
"A gente preza muito a questão da sustentabilidade, a questão social. Queremos trazer o benefício para bem próximo de casa. Na agricultura a cada emprego direto, outros 10 indiretos são criados. Ao todo, teremos quase 77 empregos que serão gerados. Isto irá ajudar o comércio de peças, de máquinas, de combustíveis de todo o municipio", detalha Paes.
Os estudos e relatórios de impactos ambientais levaram um ano para serem produzidos. Foram feitas várias pesquisas junto à comunidade, como análises de água e de solo, áreas de nascentes, preservação permanente e reserva legal.
Por ser uma área de cerrado, os impactos ambientais possíveis estão relacionados à erosão do solo, uso de agroquímicos e afugentamento da fauna. Durante a exposição da pesquisa, a empresa São Manoel apresentou planos para minimizar esses impactos e medidas compensatórias caso ocorram.
A cientista ambiental Juliana Nunes foi a responsável pela produção do EIA e Rima do empreendimento, que, segundo ela, busca potencializar as cadeias produtivas por meio de métodos inovadores de plantio, deixando o solo úmido e minimizando os riscos de queimadas.
“Nós usamos uma técnica agrícola muito bem conceituada pela Embrapa que não deixa o solo exposto, que é o sistema de plantio direto. Ele consegue tanto proteger o solo como aumentar a produtividade desses grãos, gerando mais emprego e mais renda direto ou indiretos para a comunidade do Andiroba, o município de Tartarugalzinho e o estado do Amapá como um todo”, explica Juliana.
Licenciamento
Após a etapa da audiência pública, a Sema irá aguardar por 15 dias manifestações da comunidade relacionadas ao impacto do empreendimento São Manoel. Conforme sugestões feitas pelos moradores, a secretaria dará um retorno para a empresa que fará os ajustes necessários perante as exigências, para assim, ter o licenciamento permanente para realizar as atividades agrícolas.
- Área
- Meio Ambiente
- Local
- Tartarugalzinho
- Leituras
- 0 leituras
Receba notícias de Meio Ambiente no seu e-mail →
Relacionadas

COMUNICAÇÃO
‘Hoje consigo entender o que está acontecendo com a minha saúde", diz mãe surda após viver gestação com apoio de intérpretes do Cilsaúde

COMUNICAÇÃO
'Dicas de ouro para quem empreende', diz participante do ELAS 2026 sobre temáticas abordadas na primeira noite do evento

COMUNICAÇÃO
Nota de pesar pelo falecimento do artista amapaense Amadeu Lobato

COMUNICAÇÃO










