Apesar do cenário desfavorável, a Afap tem feito captação de novos clientes com ações itinerantes em todo o Amapá.
Mesmo com a crise econômica, a Agência de Fomento do Amapá (Afap) liberou R$ 2.822 milhões para 443 empreendedores amapaenses, até julho deste ano. Do montante, R$ 1.175 milhão são de recursos próprios, o que corresponde a 41,63% do total de financiado e R$ 1.647 milhão, ou seja, 58,37% são oriundos dos fundos administrados pela agência.
A linha Amapá Solidário (Amasol), que proporciona financiamentos de até R$ 6 mil reais, teve o maior número de operações: 186, o que corresponde a 19,49% dos financiamentos com recursos próprios e um montante de R$ 550.126,94.
O valor liberado, em 2016, é muito expressivo, considerando a crise nacional, mesmo sendo inferior ao volume de 2015. A queda se dá, principalmente, pelo fato de que boa parte das pessoas que procuram a Afap, hoje, está negativada nos órgãos de proteção ao crédito e impedida de acessar financiamentos.
Dados do SPC Brasil apontam que, até o final de maio de 2016, havia um total de 59,25 milhões de pessoas físicas negativadas no país. O número representa 39,91% da população com idade entre 18 e 95 anos. Frente à estimativa anterior, que mostrou 59,2 milhões de consumidores inadimplentes em abril, 50 mil novos brasileiros passaram a fazer parte das listas de inadimplência.
“A região Norte tem o maior índice de inadimplência do Brasil. Segundo o SPC, hoje são 5,38 milhões de pessoas negativadas. Isso significa que mais de 47% da população adulta está com restrição. É um dado que também é reflexo da crise. Sem dinheiro, as pessoas estão deixando de pagar as suas dívidas”, diz o presidente da Afap Francisco de Assis Costa.
Outra razão apontada por Assis, para a queda no número de financiamentos, é a aplicação de regras mais rígidas ditadas pelo Banco Central para liberação de crédito.
“O Governo do Amapá é o único acionista da Afap, mas ela é regulada pelo Banco Central. E o BC determina que a Afap priorize a qualidade dos financiamentos e não só a quantidade. Por isso, hoje há um rigor maior na liberação dos créditos. Não só para garantir o retorno do investimento, mas também para evitar que o empreendedor contraia uma dívida que não possa pagar e passe a engrossar a estatística dos devedores”, explica.
Apesar do cenário desfavorável, a Afap tem feito captação de novos clientes com ações itinerantes em todo o Amapá, além de colocar em prática uma grande ação de recuperação de crédito.
“Os tempos são difíceis, mas nós continuamos firmes na missão de fomentar o empreendedorismo. Qualquer pessoa que precise de financiamento, e que se enquadre dentro das exigências da Afap, certamente será atendida. O que nós queremos ver é o empreendedor prosperando e a nossa economia voltando a crescer”, finaliza.
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