sábado, 17 de outubro de 2026

COMUNICAÇÃO

Ciclo do Marabaixo: retirada de mastros do Curiaú homenageia Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade

Ritual é um dos mais importantes da programação. A cada árvore derrubada, outra muda da espécie é plantada no lugar.

Kelison Neves
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Retirada dos mastros nas matas do Curiaú é um dos pontos altos da programação do Ciclo
Retirada dos mastros nas matas do Curiaú é um dos pontos altos da programação do Ciclo · Foto: Gabriel Penha

Crédito: Gabriel Penha/Fundação MarabaixoRetirada dos mastros nas matas do Curiaú é um dos pontos altos da programação do Ciclo

A tradicional retirada dos mastros levou dezenas de famílias à comunidade quilombola do Curiaú, na zona rural de Macapá, para participar de um dos momentos mais tradicionais do Ciclo do Marabaixo, neste sábado, 13. O ritual homenageia o Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade, sendo um dos momentos mais importantes da programação, que tem o apoio do Governo do Estado.

Na cadência das caixas de percussão, no balançar das bandeiras e ao som dos “ladrões”, os mastros foram derrubados nas matas do Curiaú pelos integrantes dos grupos Berço do Marabaixo, Raimundo Ladislau, Marabaixo do Pavão, Associação Zeca e Bibi Costa (Azebic), União Folclórica da Campina Grande e Santíssima Trindade de Casa Grande.

A diretora-presidente da Fundação Marabaixo, Josilana Santos, ressaltou que o ato também reforça a conscientização ambiental, pois, a cada árvore retirada, uma muda da mesma espécie foi plantada no lugar.

“Preservar a natureza, a mata, é algo sagrado. Então, dentro desse ritual, os grupos retiram os mastros, derrubam a árvore e replantam. Além disso, também há o cuidado de revezar os locais de retirada dos mastros, em um ano se tira em um lugar, depois tira em outro, para que haja o reflorestamento da mata”, frisou Oliveira.

Crédito: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

Para a marabaixeira Danniela Ramos, de 42 anos, membro da Associação Raimundo Ladislau, participar da retirada dos mastros é honrar a tradição e possibilitar o envolvimento das novas gerações. Ela levou os netos, sobrinhos e a afilhada, todos com idade entre 6 e 8 anos, para participar do ritual.

“Pra gente, é uma honra muito grande estar aqui participando desse ritual, que já foi vivido pelo mestre Julião Ramos, pelo mestre Pavão e tantos outros, que hoje são nossos ancestrais. As crianças compartilham desse momento e isso é importante porque elas são a garantia da perpetuação do marabaixo”, destacou Danniela Ramos.

Após o ritual, os grupos se reuniram para almoço e do "marabaixão". A programação do Ciclo iniciou no dia 31 de março, após a entrega da Central do Marabaixo, feita pelo Governo do Amapá. O evento segue até o dia 11 de junho, no chamado “Domingo do Senhor”.

Crédito: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

Crédito: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

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