
O epidemiologista Patrício Almeida explica os sintomas mais característicos que os casos de covid-19 têm apresentado no Amapá
Dores abdominais, quadro diarréico, cansaço, febre média, perda de olfato e paladar são alguns dos sintomas mais característicos que os casos de covid-19 têm apresentado no Amapá, segundo informa o epidemiologista da Superintendência de Vigilância em Saúde (SVS), Patrício Almeida.
O pesquisador tem analisado as características da doença de acordo com os dados fornecidos pelo Ministério da Saúde (MS) e que a SVS tem recebido das unidades de saúde locais.
As primeiras conclusões são que, com 2.910 casos confirmados e 86 óbitos, o vírus tem alta capacidade de mutação e se adaptou tanto ao clima como às características do seu hospedeiro, o ser humano.
"Percebemos que no Amapá os casos têm dobrado de quatro em quatro dias, um crescimento exponencial. O quadro diarréico tem sido muito comum, associado a outros sintomas que ocorrem em todo o país", declarou Patrício.
Alta taxa de transmissão
O pesquisador explicou que existem pelo menos 15 tipos de coronavírus que se manifestam em seres humanos e que o SARS-CoV-2, que provoca a doença covid-19, tem demonstrado essa peculiaridade de conseguir mudar suas próprias características para se instalar nos seres humanos.
Cada indivíduo infectado no Amapá pode infectar, segundo prognósticos, de 2,5 a 3,5 indivíduos, o que é considerado um número alto. A grande maioria das pessoas infectadas não apresentaram sintomas, mas serão agentes de transmissão da doença, daí o risco maior.
Para efeitos de comparação, países como a Alemanha começaram a relaxar suas medidas de isolamento social quando este número chegou a 0,8 indivíduos.
Por isso as medidas de isolamento e maior rigor com a quarentena se fazem cada vez mais necessárias.
Outro elemento é o quanto o vírus permanece ativo em variadas superfícies. Em papelão, por exemplo, o vírus pode manter-se por até 24 horas. Em plásticos, superfícies metálicas e de vidro, esse tempo de ativação e risco de contágio sobe para 72 horas.
"Manter os ambientes arejados, fazer limpeza constante com água clorada, a higiene das mãos e, especialmente, o isolamento social, seguem sendo fundamental", finalizou o epidemiologista.
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