sábado, 17 de outubro de 2026

POVOS INDÍGENAS

Amapá apresenta avanços na educação escolar indígena

Criação da categoria de professor indígena, reconhecimento de escolas e garantia de representação no Conselho de Educação estão entre os avanços.

Redação
Compartilhar

Professora Eclemilda apresenta os avanços na educação escolar indígena promovidos pelo Governo do Amapá
Professora Eclemilda apresenta os avanços na educação escolar indígena promovidos pelo Governo do Amapá · Foto: André Rodrigues

Crédito: André Rodrigues/SecomProfessora Eclemilda apresenta os avanços na educação escolar indígena promovidos pelo Governo do Amapá

O tema educação esteve no centro das discussões no terceiro dia do I Chamado Internacional dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará. O evento, apoiado pelo Governo do Estado, ocorre na Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Macapá, até sexta-feira, 22.

De acordo com a professora indígena, Eclemilda Macial Silva, existem duas vertentes educacionais. “A educação indígena é ensinada aos curumins (crianças) dentro da cultura a qual pertencem e os processos próprios educativos tradicionais de cada povo, se diferencia pelo aspecto ético, comportamental e pelos princípios familiares. Já a educação escolar indígena objetiva a formação profissional e acadêmica”, explicou.

A professora, que é ex-secretária Extraordinária dos Povos Indígenas, destacou as conquistas conseguidas junto ao governo estadual nos últimos anos. Entre os avanços, ela exaltou a criação da categoria de professor indígena, reconhecimento de escolas, criação do Sistema Modular de Ensino Indígena (Somei), garantia de representação no Conselho Estadual de Educação e concurso público específico.

Macial lembrou que o Amapá conta com 56 escolas indígenas estaduais, com 423 professores e pedagogos atuando nessas unidades de ensino, atendendo cerca de 5 mil alunos. “Precisamos de mais avanços, mas essas conquistas devem ser reconhecidas”, enfatizou a professora – que é indígena da aldeia Kumarumã, em Oiapoque (AP).

A Secretaria de Estado da Educação (Seed) atende pouco mais de 3 mil crianças nas aldeias nas séries iniciais da educação infantil, onde todos os professores que lecionam no Ensino Fundamental I são indígenas. Nos Ensinos Fundamental II e Médio, a Seed atua com professores indígenas e não indígenas. Já o ingresso nos cursos de ensino superior ocorre pelo sistema de cotas e processo seletivo.

Programação

O I Chamado Internacional dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará teve início na segunda-feira, 18, e prossegue até sexta-feira, 22, com uma vasta programação que reúne palestras, apresentações culturais, mostra de cinema, exposições fotográficas, mostras de trabalhos acadêmicos, entre outros.

O objetivo é articular os movimentos sociais, comunidades tradicionais e povos originários, em luta dos nove países da Bacia Amazônica (Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Colômbia e Peru).

O chamado quer aproximar culturas, fortalecer e agregar as lutas de resistência, proporcionar autonomia, justiça social e ambiental, com a participação de 20 povos indígenas, dentre estrangeiros e brasileiros – como as etnias Galibi Marworno; Galibi Kalinã; Karipuna; Waiãpi; Apalaí; Waiana, Tirió e Kaxuyana.

O evento é organizado pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), com apoio da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e do Governo do Estado do Amapá (GEA). A programação completa está em www.even3.com.br/chamado.

Tags
Nenhuma tag cadastrada nesta notícia
Leituras
0 leituras

Receba notícias de Comunicação no seu e-mail →

Relacionadas

Editorias

Navegue pelas áreas de cobertura do Governo do Amapá54