sábado, 17 de outubro de 2026

POVOS INDÍGENAS

Povos indígenas de nove países reivindicam demarcação de terras

Encontro no Amapá reúne índios dos países da Bacia Amazônica focados em nove eixos, destacando-se Megaprojetos, Impactos Ambientais e Sustentabilidade.

Redação
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Evento indígena na Unifap reúne povos de toda a Bacia Amazônica
Evento indígena na Unifap reúne povos de toda a Bacia Amazônica · Foto: Márcio Pinheiro

Crédito: Márcio Pinheiro/SecomEvento indígena na Unifap reúne povos de toda a Bacia Amazônica

No segundo dia do I Chamado Internacional dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará, realizado na Universidade Federal do Amapá (Unifap), em Macapá, nesta terça-feria, 19, as representações aborígenes reivindicaram demarcação de terras, entre outros pontos. O pedido foi feito em conjunto pelos povos dos nove países da Bacia Amazônica – Brasil, Equador, Venezuela, Bolívia, Suriname, Guiana, Guiana Francesa, Colômbia e Peru.

"Nossa maior luta atualmente é a demarcação de terras e a garantia de acesso aos recursos naturais, que são a solução para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas", destacou a coordenadora da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp), Simone Karipuna.

O encontro objetiva discutir políticas públicas para os povos indígenas que compõem o território da Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica (Coica) com nove eixos temáticos: Megaprojetos, Impactos Ambientais e Terras Indígenas; Sustentabilidade, Segurança Alimentar e Terras Indígenas; Movimento Indígena, Direitos Indígenas e Conjuntura; Saúde Indígena e Medicina Tradicional; Universidade e Povos Indígenas; Educação Indígena e Educação Escolar Indígena; Chamado das Mulheres Indígenas; Relações Transfronteiriças e Povos Indígenas; e Chamado da Juventude Indígena.

O evento reúne cerca de 20 povos indígenas, sendo boa parte estrangeira e nove brasileiros, como Galibi Marworno; Galibi Kalinã; Karipuna; Waiãpi; Apalaí; Waiana, Tirió e Kaxuyana. Apenas do Amapá participam cerca de 650 índios. É o caso do cacique Gilberto Iaparrá, da etnia Palikur, do Baixo Oiapoque, que marca presença para reforçar as reivindicações dos povos indígenas.

Crédito: Márcio Pinheiro/Secom

"É muito importante para nós estarmos participando do maior encontro dos povos indígenas da Bacia Amazônica, no nosso prórpio Estado, e mostrar para os demais países que estamos juntos nesta luta", ressaltou Iaparrá.

O secretário Extraordinário dos Povos Indígenas (Sepi) do Amapá, Fabiano Maciel, ressaltou que o encontro tem como objetivo manter o diálogo entre todos os povos que compõem a Bacia Amazônica. "Todos os povos presentes têm um objetivo em comum que é a garantia de direitos, seja na demarcação de terras, na saúde, na educação, nas políticas para as mulheres, para os jovens. Então esse encontro serve para discutir esses pontos, e já sair daqui com metas", explicou.

O indígena Lúcio Maurício, da aldeia Kuramumã, no Oiapoque, aproveita o evento para trocar experiências com os povos indígenas de outros países.

Crédito: Márcio Pinheiro/Secom

"Estamos compartilhando nossa cultura, nosso artesanato, nossa alimentação com eles; é um momento de celebração como nossos irmãos", destacou Lúcio.

Programação

O evento é organizado pela Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (Apoianp) com coordenação e articulação da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e apoio do Governo do Estado do Amapá. A programação segue até sexta-feira, 22, e pode ser acessada pelo site https://www.even3.com.br/chamado.

No encontro também há exposição fotográfica, mostra de cinema indígena, palestras, apresentação cultural, discussões de nove eixos temáticos envolvendo a população indígena e apresentação de trabalhos acadêmicos.

Um dos destaques da programação é a palestra com a líder indígena brasileira Sônia Guajajara, graduada nos cursos de Letras e Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão. Ela é uma renomada ativista dos direitos indígenas, conhecida internacionalmente. Sônia já levou denúncias a conferências mundiais do clima (COPs) e ao Parlamento Europeu.

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