
Mais do que ferro, fibra e cores, o Monumento da Amizade carrega histórias, lembranças e sentimentos que atravessam gerações. Instalado no Píer do Santa Inês, em Macapá, o monumento erguido pelo Governo do Amapá é uma homenagem à relação histórica e afetiva entre Macapá, no Amapá, e Afuá, no Pará, que mantêm uma ligação profunda pelo Rio Amazonas.
Por trás dessa criação está Jamesson Márcio Pinheiro de Carvalho, conhecido artisticamente como J. Márcio, professor do Centro Cândido Portinari e artista com 40 anos de trajetória. Sua inspiração, no entanto, vai além da experiência profissional.
“Ela nasce da própria história familiar, das raízes afuaenses e das lembranças de minha mãe, Maria Rita, uma mulher ribeirinha que atravessou o Rio Amazonas para construir uma nova vida em terras tucuju”, disse o artista.
A principal imagem da obra são os braços e as mãos que se entrelaçam, formando uma composição que simboliza cumplicidade, apoio, companheirismo e amizade. A escolha não é por acaso: as mãos representam a capacidade de diferentes povos se encontrarem, se ajudarem e construírem uma relação que permanece viva apesar das distâncias geográficas.
As bandeiras também ocupam um lugar especial na composição. As cores e os símbolos relacionados ao Amapá, a Macapá, ao Pará e a Afuá reforçam a identidade de cada lugar, ao mesmo tempo que expressam a união entre essas comunidades.
Monumento acolhe a quem chega pelas águas
A escolha do Píer do Santa Inês para receber a obra também carrega um significado especial. O espaço é um ponto de chegada de pessoas que vêm navegando pelo Rio Amazonas, de cidades como Afuá, Chaves e de outras localidades paraenses, próximas da capital amapaense.
“Nesse cenário, o monumento passa a integrar à paisagem e à experiência de quem chega à cidade Tucuju. É uma forma de receber os visitantes e reconhecer a importância dos povos ribeirinhos para a história, a cultura e as relações sociais da região”, destacou a Secretária de Cultura do Estado, Clicia Di Miceli.
A obra não se limita à contemplação, ela propõe um reconhecimento público de uma amizade construída no cotidiano, nas viagens, nas trocas culturais e nos vínculos entre famílias que vivem em margens diferentes, mas compartilham o mesmo rio e muitos dos mesmos costumes.
Amizade que atravessa o Rio
A homenagem também terá continuidade em Afuá. Além do monumento já entregue em Macapá, outra obra está sendo produzida para o município paraense, com previsão de entrega para novembro. Ambas são confeccionadas em ferro e fibra, e foram concebidas para representar essa relação de proximidade entre as duas cidades.
A proposta de ter um monumento em cada município reforça a ideia de reciprocidade: a amizade não pertence a apenas um lado do rio, mas é compartilhada por quem vive nas duas margens.
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