sexta-feira, 16 de outubro de 2026

SAÚDE MENTAL

Fim do Centro de Custódia Novo Horizonte marca nova etapa da Saúde Mental no Amapá

Encerramento das atividades representa um marco na política de Saúde Mental do Estado e fortalece a perspectiva do cuidado em liberdade, com acompanhamento especializado, articulado em rede e integrado à comunidade.

Júnior Nery
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Encerramento da unidade marca avanço histórico do Amapá no cuidado em liberdade de pacientes com transtorno mental
Encerramento da unidade marca avanço histórico do Amapá no cuidado em liberdade de pacientes com transtorno mental · Foto: Rodrigo Abreu

O Governo do Amapá encerrou, nesta quarta-feira, 26, as atividades do Centro de Custódia Novo Horizonte, unidade anexa ao Instituto Penitenciário do Amapá (Iapen) que atendia pessoas com transtornos mentais em conflito com a lei. O encerramento representa um marco na política estadual de Saúde Mental e no processo de construção de um modelo de cuidado pautado na garantia de direitos, no acompanhamento em rede e na reinserção social e comunitária.

A mudança já começou a transformar a realidade das pessoas que permaneceram na unidade até a conclusão do processo de desinstitucionalização. As nove pessoas que ainda aguardavam encaminhamento foram transferidas para a primeira Residência Terapêutica do Amapá, uma moradia inserida na comunidade, onde passam a contar com o suporte de cuidadores, acompanhamento multiprofissional e articulação com a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), mantendo o acompanhamento de saúde no território.

Crédito: Rodrigo Abreu/Sesa
Custodiados foram transferidos para a Residência Terapêutica do Estado, inaugurada este ano

“Esse momento é muito importante porque estamos encerrando esse espaço e garantindo que essas pessoas possam estar em um ambiente adequado para o cuidado, com dignidade e inseridas na comunidade”, destaca a coordenadora Estadual de Saúde Mental da Sesa, Marlúcia Milhomem.

Segundo ela, a Residência Terapêutica possibilita a superação da lógica de institucionalização e fortalece a construção de novas possibilidades de vida em comunidade. “As pessoas precisam ser cuidadas em liberdade, dentro do seu território, com acompanhamento e garantia de direitos”, reforça.

Crédito: Rodrigo Abreu/Sesa
Marlúcia Milhomem, coordenadora de Saúde Mental da Sesa

Olhar individualizado

A desinstitucionalização também envolve um olhar individualizado para cada história. A gerente da Equipe de Avaliação e Acompanhamento Psicossocial da Sesa (EAP), Roberta Smith, explica que o serviço atua na articulação entre a Saúde, a Raps e o sistema de Justiça, contribuindo para a construção de estratégias de cuidado de acordo com as necessidades de cada pessoa.

“A gente tem o olhar para o cuidado em liberdade. O SUS estabelece que a pessoa tem direito a um cuidado humanizado, com respeito à sua dignidade e aos seus direitos”, afirma.

Crédito: Rodrigo Abreu/Sesa
Roberta Smith, gerente da Equipe de Avaliação e Acompanhamento Psicossocial da Sesa (EAP)

Assistência integrada

O processo foi construído de forma gradual e contou com a atuação do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Gentileza, que acompanha os pacientes desde 2023 e mantém os Planos Terapêuticos Singulares de cada pessoa. Para a diretora da unidade, Zênia Gomes, o encerramento representa uma conquista para a Saúde Mental do Estado.

“É um marco na história do nosso estado poder vivenciar o encerramento de uma unidade de custódia e avançar na perspectiva do cuidado em liberdade, em consonância com os princípios da Lei nº 10.216, que estabelece a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em Saúde Mental”, pontua.

Crédito: Rodrigo Abreu/Sesa
Zênia Gomes, diretora do Caps Gentileza

Com o fim das atividades do Centro de Custódia Novo Horizonte, o cuidado passa a ser fortalecido no território e na comunidade. A Residência Terapêutica, os Caps, as Unidades Básicas de Saúde e os demais serviços da Raps passam a atuar de forma articulada para garantir acompanhamento, convivência comunitária, reabilitação psicossocial e cidadania, dando um novo sentido à assistência às pessoas com sofrimento psíquico em conflito com a lei.

Crédito: Rodrigo Abreu/Sesa
Integrantes da Raps celebram o fim do Centro de Custódia Novo Horizonte, marcando nova etapa da Saúde Mental no Amapá

Júnior Nery - Assessor de Comunicação/Sesa - (96) 98127-1559

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