sexta-feira, 16 de outubro de 2026

MEIO AMBIENTE

Amapá apresenta concessões florestais como estratégia de enfrentamento às mudanças climáticas durante a São Paulo Climate Week

Modelo apresentado no evento destaca expansão das áreas sob concessão, nova modelagem em parceria com o BNDES e o potencial das florestas públicas para gerar soluções climáticas e desenvolvimento sustentável.

Alexandra Flexa
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Evento discutiu construção de soluções climáticas para o Brasil e para o mundo
Evento discutiu construção de soluções climáticas para o Brasil e para o mundo · Foto: Divulgação

O Amapá participou, de 3 a 7, da 3ª edição da São Paulo Climate Week (SPCW 2026), um dos espaços de discussão sobre a agenda climática brasileira. Durante o evento, foram apresentados os avanços da política de concessões florestais no estado e o papel desse instrumento na conservação das florestas públicas, redução de emissões e construção de alternativas econômicas de baixo carbono. Com o tema, "Da agenda global à ação nos territórios", evento encerrou nesta sexta-feira, 7, de agosto.

Representado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Estado do Amapá participou do painel “Concessão Florestal no Brasil: Escala, Impacto e Soluções Climáticas”, que reuniu representantes de governos, instituições financeiras, órgãos gestores e organizações especializadas para discutir como o manejo sustentável das florestas públicas pode contribuir para proteger grandes territórios florestais e promover desenvolvimento econômico associado à conservação ambiental.

Avanços nas concessões florestais

Durante o debate, foram apresentados os avanços da política de concessões florestais no Amapá e o processo de reestruturação jurídica, técnica e econômica do modelo. Em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), está em elaboração uma nova modelagem para concessão de áreas públicas, com previsão de lançamento de edital no segundo semestre de 2026.

Com a nova licitação, o Amapá poderá alcançar 750.643,20 hectares de florestas públicas sob concessão, ampliando a participação do estado no manejo sustentável e contribuindo para fortalecer a escala das concessões florestais na Amazônia.

Crédito: Divulgação/Sema/GEA
Amapá representado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente participa do Climate Week 2026

A proposta apresentada combina a produção sustentável de madeira com uma agenda mais ampla de conservação da biodiversidade, redução de emissões, prevenção da degradação florestal, adaptação climática, geração de empregos e fortalecimento da economia da floresta.

Para o diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema, Marcos Almeida, as concessões podem assumir uma função estratégica diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.

Crédito: Divulgação/Sema/GEA
Marcos Almeida, diretor de desenvolvimento ambiental da Sema

“A concessão florestal pode deixar de ser vista apenas como um instrumento de produção de madeira e passar a funcionar como uma plataforma territorial de mitigação, adaptação climática, conservação e desenvolvimento econômico”, destacou.

Floresta manejada como solução climática

A proposta considera que a manutenção de grandes áreas de floresta pública sob manejo sustentável, com planejamento, rastreabilidade, monitoramento e presença permanente no território, pode contribuir para reduzir processos de degradação e fortalecer a proteção dos recursos naturais.

Nesse contexto, as concessões podem incorporar ações de manejo florestal de impacto reduzido, proteção dos estoques de carbono, prevenção e combate aos incêndios florestais, monitoramento do desmatamento e da exploração ilegal, recuperação de áreas degradadas e proteção da biodiversidade.

Outra possibilidade é integrar às concessões novos ativos ambientais e econômicos, como serviços ambientais, projetos de restauração e mecanismos relacionados ao carbono, desde que estruturados com critérios técnicos, segurança jurídica, monitoramento e integridade ambiental.

A perspectiva é avançar para um modelo em que o desempenho da concessão seja avaliado não apenas pelo volume de madeira produzido, mas também pela capacidade de manter a floresta conservada, reduzir impactos da exploração, proteger estoques de carbono, preservar a biodiversidade e ampliar a resiliência dos territórios diante das mudanças climáticas.

Nova economia da floresta

A ampliação do modelo de concessões florestais também abre possibilidades para fortalecer uma economia de baixo carbono, associando produção sustentável, conservação ambiental e geração de oportunidades econômicas.

Além da madeira manejada, produtos florestais não madeireiros, aproveitamento tecnológico da madeira, beneficiamento local, geração de energia a partir de resíduos, restauração florestal e serviços ambientais podem contribuir para diversificar fontes de renda e agregar valor à floresta conservada.

A incorporação da agenda climática pode abrir espaço para que futuros contratos considerem indicadores relacionados à redução de impactos ambientais, eficiência no uso da madeira, proteção das árvores remanescentes, prevenção de incêndios, recuperação de áreas degradadas, monitoramento territorial, benefícios às comunidades e inovação tecnológica.

A participação do Amapá na São Paulo Climate Week reforçou o debate sobre a importância da articulação entre governos estaduais, Governo Federal, instituições financeiras, setor privado e organizações da sociedade civil para ampliar o papel das concessões florestais na agenda climática brasileira.

Crédito: Divulgação/Climate Week 2026
Amapá apresenta modelo de concessões florestais durante a São Paulo Climate Week, destacando o papel das florestas públicas na agenda climática

O painel contou com a participação de Renato Rosenberg, diretor de Concessões do Serviço Florestal Brasileiro (SFB); Ana Simonetti, diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio; Camila Lima, gerente de Estruturação de Projetos no Departamento de Soluções de Infraestrutura Ambiental do BNDES; e Marcos Almeida, diretor de Desenvolvimento Ambiental da Sema Amapá. A moderação foi conduzida por Leonardo Sobral, diretor de Florestas e Restauração do Imaflora.

Com o novo edital previsto para 2026, a expectativa é ampliar o debate sobre o papel das florestas públicas amazônicas na construção de uma economia de baixo carbono, associando manejo sustentável, conservação da biodiversidade e desenvolvimento econômico.

*Secretaria de Estado da Comunicação (Secom) Alexandra Flexa: (96) 98143-0712 Assessoria de Comunicação - Sema*

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Macapá
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