sexta-feira, 16 de outubro de 2026

SEGURANÇA ALIMENTAR

Governo do Amapá lança chamada pública de R$ 718,9 mil para levar alimentos da agricultura familiar a escolas indígenas e quilombolas

Iniciativa vai atender 7.411 estudantes de 77 escolas estaduais, fortalecer a renda dos produtores e valorizar a cultura alimentar das comunidades tradicionais.

Marcio Bezerra
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Lançamento da chamada pública reuniu produtores locais, representantes da educação e integrantes das comunidades tradicionais
Lançamento da chamada pública reuniu produtores locais, representantes da educação e integrantes das comunidades tradicionais · Foto: Marcio Bezerra

O Governo do Amapá lançou, nesta sexta-feira, 31, uma chamada pública para a compra de alimentos da agricultura familiar destinados a escolas indígenas, quilombolas e de comunidades tradicionais da rede estadual de ensino.

O lançamento ocorreu na Escola Quilombola Estadual Daniel de Carvalho, na comunidade Santo Antônio da Pedreira, em Macapá. Coordenada pela Secretaria de Estado da Educação (Seed), a iniciativa vai atender 7.411 estudantes de 77 escolas, com investimento de R$ 718.985,28 em recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) não executados em anos anteriores.

Crédito: Marcio Bezerra/Seed

Mais do que ampliar a oferta de alimentos frescos e regionais, a ação cria oportunidades de renda para agricultores familiares, pescadores e produtores das próprias comunidades atendidas.

Para o secretário adjunto de Políticas de Educação do Amapá, Cleiberton Souza, a chamada pública aproxima a alimentação escolar da realidade cultural e alimentar dos estudantes.

Crédito: Marcio Bezerra/Seed
Secretário adjunto de Políticas de Educação, Cleiberton Souza

“Além de garantir uma alimentação saudável, estamos levando para a escola alimentos que fazem parte da rotina e da cultura dos alunos, como peixe, açaí, bacaba, farinha e frutas locais. É uma alimentação que eles conhecem e que faz parte do paladar das comunidades”, destacou o secretário.

Compra direta reduz perdas no campo

Na prática, a compra direta ajuda a reduzir a presença de intermediários, melhora as condições de comercialização e evita que alimentos produzidos nas comunidades sejam desperdiçados por falta de compradores.

João Décio Sousa Lima, presidente da Associação dos Moradores e Agricultores da Comunidade da Ressaca da Pedreira (Amacrep), conhece essa realidade de perto. Além de representar os produtores da comunidade, ele também vive da agricultura.

Crédito: Marcio Bezerra/Seed
Presidente da Amacrep, João Décio Sousa

“Antes, muitas vezes, a gente voltava da feira com os produtos porque não conseguia vender. Esses alimentos acabavam estragando, e o produtor perdia até a vontade de continuar produzindo. Com um programa como esse, conseguimos agregar valor, evitar perdas e ter lucro com o nosso trabalho”, relatou.

Para João Reginaldo, agricultor do Assentamento Santo Antônio da Pedreira, a chamada pública representa mais uma oportunidade de comercialização para as famílias que vivem da agricultura.

Crédito: Marcio Bezerra/Seed
Agricultor João Reginaldo

“Para nós, agricultores, é uma oportunidade muito satisfatória. Dependemos da renda da agricultura e trabalhamos para plantar, colher e vender. Ter mais um espaço para entregar a produção representa melhoria de vida e mais condições para cuidar da nossa casa e do nosso dia a dia”, declarou.

Alimentos regionais no cardápio escolar

A chamada pública prevê a aquisição de 33 tipos de produtos, considerando a sazonalidade e a produção disponível em cada região.

Entre os alimentos estão abacaxi, mamão, melancia, banana, açaí, bacaba, cupuaçu, macaxeira, cará, jerimum, alface, couve, chicória, farinha de mandioca, goma e farinha de tapioca, castanha-do-pará, peixe regional, galinha caipira, ovos e polpas de frutas.

A estimativa de aquisição inclui:

  • 38 toneladas de frutas
  • 22 toneladas de legumes
  • 21 mil maços de verduras
  • 9 toneladas de polpas de frutas
  • 15 mil litros de açaí e bacaba
  • 7 toneladas de farinhas
  • 1,8 tonelada de castanha-do-pará
  • 14,8 toneladas de proteínas
  • 37 mil ovos

Os alimentos serão destinados a 24 escolas quilombolas localizadas em Macapá e Santana e a 53 escolas indígenas distribuídas pelos municípios de Laranjal do Jari, Pedra Branca do Amapari e Oiapoque.

As unidades atendem estudantes das etnias Waiãpi, Tiriyó, Apalai, Palikur, Karipuna e Galibi Marworno. Além de garantir alimentos frescos e nutritivos, a proposta busca respeitar os hábitos alimentares e as tradições das comunidades indígenas e quilombolas.

A chamada terá vigência de 12 meses, permitindo o fornecimento contínuo de produtos da agricultura familiar para as escolas contempladas.

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