sexta-feira, 16 de outubro de 2026

SAÚDE E BEM-ESTAR

‘O yoga me sustenta’, diz paciente do Cerpis que reencontrou qualidade de vida no Amapá

Aos 59 anos, a servidora pública Lucila Silva relata como a prática integrativa transformou sua saúde física e emocional.

Júnior Nery
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Lucila Maria dos Santos Silva conseguiu encontrar no yoga equilíbrio físico e emocional
Lucila Maria dos Santos Silva conseguiu encontrar no yoga equilíbrio físico e emocional · Foto: Júnior Nery

Antes de redescobrir o próprio equilíbrio, a vida de Lucila Maria dos Santos Silva foi marcada por um acúmulo de dores que iam além do corpo. Geóloga e servidora do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) há 28 anos, ela sempre foi intensa, ativa e inquieta. Mas, com o passar do tempo, frustrações, perdas e o desgaste emocional começaram a pesar. Vieram crises e, mais recentemente, os diagnósticos de autismo, TDAH e fibromialgia.

“Eu era uma pessoa muito ativa, mas tudo foi me afetando. Chegou um momento em que eu não me reconhecia mais”, relembra.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Lucila Maria dos Santos Silva, geóloga praticante de yoga do Cerpis

A virada começou há dois anos, quando Lucila chegou ao Centro de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Cerpis), unidade da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em busca de alternativas ao excesso de medicação. “Eu cheguei a tomar 12 remédios. Eu não queria mais aquilo, queria algo mais natural”, conta.

Foi lá que, entre diferentes terapias, encontrou no yoga um caminho de reconstrução — ainda que, no início, tenha resistido. “Eu dizia: ‘Isso não é para mim, é muito lento, eu não vou conseguir’. E hoje é o yoga que me sustenta”, afirma.

Mudanças profundas

Com a prática, vieram mudanças profundas. A respiração, antes acelerada, passou a ser uma aliada no controle da ansiedade. As dores da fibromialgia diminuíram e o sono, que antes não vinha, ganhou qualidade.

“Hoje eu durmo bem, e dormir sem remédio é qualidade de vida. Antes eu acordava cansada, agora não. Não é que tudo desapareceu, mas hoje eu tenho uma qualidade de vida que eu não tinha. Eu me entendo, sei reconhecer meus limites”, diz.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Pessoa autista e com TDHA, Lucila chegou ao Cerpis em busca de alternativas ao excesso de medicação
Crédito: Júnior Nery/Sesa
Yoga, entre outras práticas de integrativas, são oferecidas gratuitamente no Cerpis

Impacto na vida familiar

O yoga também impactou diretamente sua convivência familiar. Com mais consciência sobre suas condições, ela fortaleceu o diálogo com os filhos e encontrou apoio dentro de casa.

“A gente precisa de uma rede de apoio. E eu consegui construir isso com a minha família”, destaca.

Para ela, a continuidade da prática é essencial: “Quando a gente parou por um tempo, todo mundo piorou. O yoga, para mim, hoje, é fundamental. Não tem como ficar sem”, avalia.

Aos 59 anos, Lucila segue em movimento, inclusive retomando planos pessoais e estudos. “Enquanto tem vida, a gente pode recomeçar”, afirma, com a leveza de quem aprendeu a desacelerar sem deixar de seguir em frente.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Atividade terapêutica ajuda os praticantes a diminuir a ansiedade, o estrese e dores crônicas

Acesso aos serviços do Cerpis

Administrado pelo Governo do Amapá, o Cerpis oferece à população um modelo de cuidado que integra corpo e mente, com foco no bem-estar e na qualidade de vida. O acesso aos serviços ocorre a partir de encaminhamento médico, seguido de triagem que direciona o paciente para diferentes terapias, conforme suas necessidades.

“Entre as práticas ofertadas estão yoga, acupuntura, auriculoterapia, reiki, massagens terapêuticas e acompanhamento psicológico. Os usuários passam por diversos atendimentos e podem experimentar diferentes abordagens até encontrar aquelas que melhor contribuem para seu tratamento, seja para questões físicas ou emocionais”, explica a diretora do Cerpis, Ângela Cid.

Acolhimento e saúde plena

A proposta, segundo a gestora, é oferecer alternativas complementares que promovam acolhimento e saúde plena.

“Em alguns casos, como o de pacientes com fibromialgia, o acompanhamento pode ser contínuo, garantindo melhores resultados e mais qualidade de vida”, garante Ângela.

Histórias como a de Lucila mostram que o cuidado vai além do tratamento — é também sobre reconstruir trajetórias e devolver às pessoas a possibilidade de viver com mais equilíbrio e bem-estar.

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