sábado, 17 de outubro de 2026

RECONHECIMENTO PARTEIRAS

Saúde do Amapá apoia a preservação dos saberes das parteiras em encontro do Iphan

"Comadres" de diferentes municípios do Amapá participaram do encontro, que debateu ações de apoio e reconhecimento à prática tradicional.

Roberta Corrêa
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Reunião do Comitê de Salvaguarda das Parteiras Tradicionais
Reunião do Comitê de Salvaguarda das Parteiras Tradicionais · Foto: Roberta Corrêa

Com a participação do Governo do Amapá, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) promoveu, na manhã desta terça-feira, 31, em Macapá, a reunião do Comitê de Salvaguarda das Parteiras Tradicionais. O encontro reuniu mais de 60 parteiras de diversas regiões do estado para discutir políticas de valorização da prática, estratégias de preservação dos saberes tradicionais e o processo de reconhecimento da atividade como patrimônio cultural brasileiro.

A reunião teve como objetivo consolidar os grupos de trabalho responsáveis pelo planejamento das ações de salvaguarda - que são medidas de proteção, valorização e sustentabilidade adotadas para garantir um bem cultural imaterial -, além de fortalecer a articulação entre as instituições públicas e as representantes da categoria. Participaram parteiras de localidades como o Arquipélago do Bailique, Laranjal do Jari, Vitória do Jari, Calçoene, Mazagão, Santana e do quilombo do Cunani.

Crédito: Divulgação
Michel Flores, superintendente do Iphan no Amapá, ao lado de Marinez Lopes e Macelir Kobayashi, secretária adjunta de Atenção à Saúde

De acordo com o superintendente do Iphan no Amapá, Michel Flores, o registro do ofício das parteiras como patrimônio cultural passa por diferentes etapas e é essencial para garantir a continuidade da prática nas comunidades.

“A partir do registro, acompanhamos todo o processo de reconhecimento. Essa etapa é importante porque dá ferramentas para a política de salvaguarda das parteiras, garantindo que essa prática não caia em desuso e que haja a continuidade desse saber tradicional”, explicou.

Reconhecimento

A secretária adjunta de Atenção à Saúde, Macelir Kobayashi, destacou que o Estado reconhece a importância do trabalho dessas mulheres, principalmente em regiões de difícil acesso.

“As parteiras fazem parte da história e da cultura do Amapá. Apoiar esse processo de reconhecimento é também fortalecer a saúde materno-infantil e garantir que esse conhecimento tradicional continue sendo respeitado e valorizado”, afirmou.

Valor do saber tradicional 

Crédito: Roberta Corrêa/Sesa

Representando a categoria, a vice-presidente da rede estadual das parteiras tradicionais do Amapá, Marinez Lopes, ressaltou que o encontro simboliza uma conquista construída ao longo de muitos anos de mobilização.

“A gente vem lutando há muito tempo para que o nosso trabalho seja reconhecido. Esse processo de salvaguarda mostra que estamos sendo ouvidas e que o nosso saber tem valor para a sociedade”, disse.

Encontro de gerações 

Crédito: Roberta Corrêa/Sesa
Maria Cléa, parteira do Laranjal do Jari

Entre as participantes, a parteira Maria Cléa, de 64 anos, que atua desde os 14, participou do encontro acompanhada de outras 12 parteiras de Laranjal do Jari. Para ela, o momento é de orgulho e também de responsabilidade com as novas gerações.

“Eu comecei muito nova, aprendendo com as mais velhas, e já ajudei a trazer muitas crianças ao mundo. Ver esse reconhecimento hoje é emocionante, porque mostra que nosso trabalho não foi em vão”, contou.

Crédito: Roberta Corrêa/Sesa
Maria Ângela, parteira do município de Calçoene

A parteira Maria Ângela, de 66 anos, do município de Calçoene, também compartilhou sua trajetória. Ela iniciou na atividade aos 17 anos e, mesmo após atuar formalmente na área da saúde, nunca deixou de atender gestantes.

“Ser parteira é um dom e uma missão. Mesmo quando eu trabalhava na saúde, sempre que me chamavam eu ia, porque sei da importância desse cuidado para as mães e os bebês”, relatou.

Empenho e dedicação

No Arquipélago do Bailique, onde o deslocamento é feito principalmente por rios, as parteiras Roselene Pires, de 50 anos, e Iracilene Marques enfrentam longas viagens para prestar atendimento às gestantes das comunidades.

“Muitas vezes a gente sai de madrugada, pega chuva, enfrenta maré forte, mas a gente vai, porque sabe que tem uma mulher esperando ajuda”, contou Roselene.

Crédito: Roberta Corrêa/Sesa
Roselene Pires e Iracilene Marques, parteiras do arquipélago do Bailique

A parteira Iracilene Marques, da localidade de Santo Antônio, norte do Arquipélago do Bailique, reforçou o compromisso com a comunidade.

“A gente faz isso com amor e responsabilidade. Quando chega e vê que a mãe e o bebê estão bem, é uma alegria que não tem explicação, mesmo enfrentando rios para chegar”, disse.

O comitê de salvaguarda busca estruturar ações de registro, formação e apoio institucional, assegurando que os conhecimentos tradicionais das parteiras sejam preservados, valorizados e transmitidos às novas gerações, com reconhecimento oficial como patrimônio cultural do Brasil.

Área
Saúde
Local
Macapá
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