sexta-feira, 16 de outubro de 2026

ALAGAMENTOS: RISCO À SAÚDE

Saúde em Alerta: Governo do Amapá intensifica orientações para prevenir doenças durante período de chuvas

Diante do rigoroso inverno amazônico e dos recentes alagamentos, o Governo do Estado e a Sesa reforçam o monitoramento e o apoio às famílias atingidas. O foco é a prevenção de doenças como leptospirose e hepatite A, garantindo assistência rápida em toda a rede de saúde para proteger a população.

Júnior Nery
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Evite entrar na água suja com os pés descalços. Use botas de borracha ou sacolas plásticas reforçadas para se proteger de doenças
Evite entrar na água suja com os pés descalços. Use botas de borracha ou sacolas plásticas reforçadas para se proteger de doenças · Foto: Divulgação

As intensas chuvas que atingiram o Amapá nos últimos dias, especialmente a capital Macapá, acenderam um sinal de alerta para a gestão estadual. Com o transbordamento de canais e o acúmulo de água e lixo em diversos pontos, o risco de contaminação torna-se uma preocupação central. Em reunião no Palácio do Setentrião, governador Clécio Luís reafirmou o compromisso do Estado em atuar na linha de frente, garantindo suporte integral em áreas críticas como saúde, assistência social, segurança e defesa civil para amparar as famílias afetadas.

Na área da saúde, o cuidado precisa ser redobrado, especialmente com os grupos mais vulneráveis: crianças e idosos. O contato com a água contaminada, o esgoto e o lixo carregado pelas enxurradas pode ser a porta de entrada para patógenos graves que, se não tratados precocemente, podem levar ao óbito.

De acordo com o médico coordenador do Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), Rinaldo Júnior, o perigo mora no que não se vê a olho nu.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Rinaldo Júnior, coordenador de Epidemiologia do HCA

“Toda atenção com a saúde nesse período de alagamentos é importante para evitar, por exemplo, a leptospirose, transmitida pela urina de ratos presente em água suja. A doença causa febre, dor no corpo, dor de cabeça, vômitos e, em casos graves, pode afetar rins e fígado. O tratamento é feito com antibióticos prescritos por médico e, nos casos graves, é necessária internação”, explica o especialista.

Fique atento aos sintomas: saiba identificar as doenças do período

O cenário de umidade e água parada favorece uma série de outras enfermidades. O Dr. Rinaldo Júnior destaca os principais sinais que a população deve observar:

  • Doenças Diarreicas: Causadas pelo consumo de água ou alimentos contaminados. Os sintomas incluem diarreia, vômitos e desidratação. O tratamento baseia-se na reidratação (soro caseiro ou de farmácia) e alimentação leve.
  • Hepatite A: Transmitida via fecal-oral (água/alimentos). Provoca cansaço, náuseas e o amarelamento da pele e olhos (icterícia). A vacinação é a melhor prevenção.
  • Dengue, Zika e Chikungunya: Com o acúmulo de água limpa e parada após as chuvas, o mosquito Aedes aegypti se prolifera. Causa dor atrás dos olhos, manchas vermelhas e febre. Atenção: Nunca se automedique, pois alguns remédios podem agravar quadros hemorrágicos.
  • Infecções de pele e micoses: O contato prolongado com a água suja gera feridas, coceira e vermelhidão.
  • Problemas respiratórios: O frio e a umidade do "inverno" favorecem gripes, bronquites e pneumonias, manifestadas por tosse e falta de ar.
Crédito: Maksuel Martins/GEA
Áreas alagadas representam sério risco à saúde da população

Prevenção: como proteger sua casa e sua família

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) orienta medidas práticas para minimizar os riscos de contaminação, mesmo em áreas onde a água invadiu as residências:

  • Evite o contato direto: Se precisar entrar na água, utilize botas e luvas de borracha (ou sacos plásticos duplos amarrados).
  • Cuidado com o que bebe: Consuma apenas água tratada, filtrada ou fervida.
  • Higiene rigorosa: Lave bem os alimentos e mantenha a casa o mais arejada possível para evitar o mofo.
  • Elimine focos: Após o recuo da água, verifique se não ficaram recipientes que possam acumular água e servir de criadouro para mosquitos.
Crédito: Maksuel Martins/GEA
Crianças e idosos são considerados os públicos mais vulneráveis durantes as fortes chuvas e alagamentos

Onde buscar ajuda?

A rede pública do Amapá está mobilizada para o atendimento. Em casos de sintomas leves, a orientação é procurar primeiro uma Unidade Básica de Saúde (UBS).

Para casos de urgência, agravamento dos sintomas ou emergências, as portas do Estado seguem abertas e preparadas em unidades como:

  • Pronto Atendimento Infantil (PAI) e Hospital da Criança e Adolescente (HCA);
  • Hospital de Emergência (HE);
  • UPAs das zonas Norte e Sul;
  • Hospitais Estaduais de Santana, Laranjal do Jari, Porto Grande e Oiapoque.

Um exemplo da eficácia do atendimento rápido ocorreu recentemente no PAI, onde uma criança diagnosticada com dengue foi prontamente estabilizada e já recebeu alta.

"O atendimento rápido pode evitar complicações graves. Se você ou algum familiar apresentar febre persistente, vômitos frequentes ou falta de ar, não espere: procure a unidade de saúde mais próxima”, orienta o epidemiologista.

Crédito: Aog Rocha/GEA
Governo do Amapá reafirma o compromisso do Estado em atuar na linha de frente, garantindo suporte integral em áreas críticas como saúde, assistência social, segurança e defesa civil para amparar as famílias afetadas
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