sexta-feira, 16 de outubro de 2026

AMAPÁ É PIONEIRO

Amapá é o primeiro estado a receber treinamento do Ministério da Saúde pelo projeto-piloto de migração da insulina NPH para glargina

Capacitação evidencia o compromisso do Governo do Estado com a inovação, a qualificação das equipes e a segurança dos pacientes, além de marcar uma etapa estratégica do projeto, que avalia desafios logísticos e operacionais antes da ampliação nacional.

Júnior Nery
Compartilhar

Auditório ficou lotado de profissionais que participaram do primeiro treinamento do projeto piloto de migração da insulina NPH para glargina
Auditório ficou lotado de profissionais que participaram do primeiro treinamento do projeto piloto de migração da insulina NPH para glargina · Foto: Júnior Nery

O Amapá saiu na frente e se tornou o primeiro estado brasileiro a receber o treinamento presencial do Projeto-Piloto de Migração da Insulina NPH para Glargina, iniciativa do Ministério da Saúde que busca fortalecer o abastecimento e ampliar as opções terapêuticas no tratamento do diabetes pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A capacitação marca uma etapa estratégica do projeto, que está em fase de avaliação para identificar desafios logísticos e operacionais antes da ampliação para todo o país.

A migração envolve a transição da insulina humana NPH para a insulina glargina — um medicamento sintético, análogo de ação prolongada, desenvolvido por laboratório privado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O processo ocorre de forma gradual, sem previsão de substituição total da NPH, garantindo segurança clínica, continuidade do tratamento e decisão individualizada conforme avaliação médica.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Rafael Poloni, coordenador de Assistência Farmacêutica da Atenção Básica do Ministério da Saúde

No Amapá para ministrar o treinamento, o coordenador de Assistência Farmacêutica da Atenção Básica do Ministério da Saúde, Rafael Poloni, explicou que o principal objetivo da iniciativa é evitar o desabastecimento e a desassistência aos pacientes insulinizados no SUS.

“O que a gente quer, enquanto Ministério da Saúde, é que não haja desabastecimento nem desassistência aos pacientes insulinizados. Por isso, a migração será gradual, sem substituição total da NPH, sempre a critério médico”, afirmou.

Diabetes do tipo 1 e 2

Segundo Poloni, o projeto-piloto foi iniciado em quatro localidades estratégicas — Amapá, Distrito Federal, Paraíba e Paraná — contemplando diferentes regiões do país. Ele destacou que a insulina glargina já é utilizada no SUS para pacientes com diabetes mellitus tipo 1 e que, nesta nova etapa, a incorporação passa a ser avaliada também para o tratamento do diabetes tipo 2.

Rafael Poloni ressalta, ainda, que a escassez global da insulina humana NPH, registrada desde 2023, motivou a adoção de novas estratégias pelo Ministério da Saúde.

“As insulinas humanas são antigas, eficazes e continuarão sendo disponibilizadas no SUS. O problema é que o mercado internacional tem reduzido o interesse na produção desse tipo de insulina, o que gera dificuldade de compra. O projeto amplia o leque terapêutico e assegura a continuidade da assistência”, pontuou.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Representantes da Sesa e Ministério da Saúde. Amapá foi o primeiro estado a receber treinamento

Amapá pioneiro no treinamento

Para a secretária adjunta da Assistência Hospitalar da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Macelir Kobayashi, o protagonismo do Amapá demonstra o compromisso do Governo do Estado com a inovação, a qualificação das equipes e a segurança dos pacientes.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Macelir Kobayashi, secretária adjunta da Assistência Hospitalar da Sesa

“Estamos extremamente agradecidos por o Amapá ser o primeiro estado a receber esse treinamento. Aceitamos o convite do Ministério da Saúde porque entendemos a importância de preparar nossas equipes para uma migração gradual, segura e responsável”, destacou.

A gestora reforça que não haverá interrupção no fornecimento da insulina NPH. “É importante deixar claro que não chegará um dia em que só haverá glargina. A NPH continuará disponível normalmente para os pacientes. O processo exige capacitação, diálogo com os profissionais de saúde e orientação adequada à população”, afirmou.

Protagonismo do Amapá

O treinamento presencial do projeto-piloto ocorreu na tarde desta terça-feira, 27, no auditório do Conselho Regional de Farmácia, no bairro Santa Rita, em Macapá, reunindo profissionais da rede estadual e municipal de saúde. A ação reforça o protagonismo do Amapá na incorporação de novas tecnologias em saúde e no fortalecimento da assistência farmacêutica no SUS.

Avaliação dos profissionais

O gerente do Centro de Abastecimento Farmacêutico (CAF) da Sesa, Uriel Almeida, destacou o impacto direto da iniciativa na rotina dos profissionais e no atendimento aos pacientes.

Crédito: Júnior Nery/Sesa
Uriel Almeida, farmacêutico gerente do CAF-Sesa

“Esse projeto-piloto é extremamente relevante porque traz o próprio Ministério da Saúde para orientar a rede. O farmacêutico é, muitas vezes, o primeiro contato do paciente antes do uso do medicamento, e esse treinamento garante uma migração segura, sem prejuízos ao tratamento”, explicou.

Uriel também ressaltou que a capacitação contribui para padronizar critérios de prescrição, dispensação e acompanhamento dos pacientes.

“A glargina já é utilizada no SUS, principalmente para diabetes tipo 1. Agora, o Ministério da Saúde amplia esse acesso para o diabetes tipo 2, e isso exige preparo técnico das equipes. O conhecimento repassado aqui fortalece toda a rede”, afirmou.

Com a iniciativa, o Governo do Amapá reafirma seu compromisso com a saúde pública, atuando de forma integrada com o Ministério da Saúde para assegurar o acesso contínuo a medicamentos essenciais, fortalecer a assistência farmacêutica e promover a incorporação responsável de novas tecnologias no SUS.

Área
Saúde
Local
Macapá
Leituras
0 leituras

Editorias

Navegue pelas áreas de cobertura do Governo do Amapá54