
Os profissionais do Hospital da Mulher Mãe Luzia, em Macapá, testemunharam uma sequência de milagres ao receber uma jovem mãe na maternidade. Sedada na UTI devido a complicações de saúde, Michelly Santos, de 23 anos, se tornou símbolo de superação ao dar à luz, de parto normal, a um bebê prematuro de apenas 25 semanas. A história da paciente motivou a equipe a homenageá-la como um exemplo de força e resiliência.
No dia 21, Michelly recebeu uma "alta humanizada" do hospital, e ganhou uma carta emocionante assinada por enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas que a atenderam. A jovem mãe visita diariamente a filha, que segue lutando pela vida na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. O bebê, pequeno e frágil, nasceu com 780 gramas e segue recebendo assistência da equipe multiprofissional.
“Eu não lembro muito bem como aconteceu, sei dos relatos que a minha mãe e meu marido contaram, falando de todo o cuidado que a equipe teve comigo. Foi um milagre, eles oraram bastante, eu consegui e agora vou esperar a minha filha ganhar peso. Esse momento só Deus explica", relata a jovem mãe.
A carta recebida por Michelly foi emoldurada em um quadro para que ela possa sempre lembrar da sua história. A paciente deu entrada no Hospital da Mulher com 25 semana de gestação da sua segunda filha, com uma forte infecção urinária. O quadro foi se agravando até ela ser intubada e sedada na UTI.
Diante do risco que sua condição representava também para o bebê, os profissionais de saúde optaram por induzir o parto normal no dia 11 de setembro. Mesmo estando sedada, Michelly reagiu ao instinto de mãe e auxiliou no procedimento, decisão que marcou o início de uma sequência de milagres vividos por mãe e filha dentro do hospital.
“Foi um momento de muita emoção. Estávamos diante de uma mãe inconsciente, que surpreendentemente reagiu a cada passo de um parto normal e de um bebê que surpreendeu a todos pela força. Isso renovou nossas esperanças", descreveu Mariveth Ribeiro, enfermeira que acompanhou todo o processo.
Após 15 dias de internação na UTI obstétrica e do nascimento da filha, Michelly se recuperou e recebeu alta no dia 21.
“Enquanto lutava pela própria vida, seu corpo também lutava para trazer ao mundo uma nova vida. Nunca havíamos testemunhado isso desta forma. A recuperação dela foi espetacular e inédita, passou pela intubação, pelo parto e, ao receber alta, já foi direto para casa. Geralmente as pacientes saem da UTI mas ainda ficam na enfermaria, o caso dela foi único”, reforça a enfermeira.
Michelly é casada com Lucas Daivison, de 21 anos. O jovem casal mora no bairro Congós, na Zona Sul de Macapá, e já tem um filha de 3 anos de idade. Juntos, eles acompanham o desenvolvimento da bebê, que precisa ganhar peso.
Assim que receber alta, ela será registrada com o nome de Aysha, de origem árabe, que significa "cheia de vida". O nome já era o escolhido antes do parto, mas agora tem mais significado ainda.
“Minha rotina vai ser acompanhar minha pequena Aysha, aproveitar cada segundo que posso ter com ela, agradecer a cada dia por estar viva e continuar dando amor para minhas duas filhas, a equipe do hospital me acolheu, eu só agradeço a Deus e ao hospital”, diz a mãe.




