sábado, 17 de outubro de 2026

CIÊNCIA QUE ATRAVESSA FRONTEIRAS

Com apoio do Governo do Amapá, estudantes embarcam para feira internacional nos Estados Unidos

Três projetos de escolas públicas do estado foram selecionados para a Genius Olympiad, em Nova York.

Breno Pantoja
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Estudantes da rede pública irão representar o Amapá e o Brasil na Genius Olympiad
Estudantes da rede pública irão representar o Amapá e o Brasil na Genius Olympiad · Foto: Luan Macêdo

Neste domingo, 8, o Aeroporto Internacional de Macapá foi ponto de partida para uma jornada científica para alunos das escolas estaduais Mário Quirino da Silva e Elias de Freitas Trajano de Souza. Com o apoio do Governo do Estado, os estudantes da rede pública embarcaram rumo a Nova York, nos Estados Unidos, onde irão representar o Amapá e o Brasil na Genius Olympiad, uma das maiores feiras internacionais de ciência e sustentabilidade do mundo, que acontece até 13 de junho na RIT University, em Rochester.

Valorizando a educação, ciência, tecnologia e sustentabilidade, o Governo do Amapá foi responsável por custear passagens e hospedagem da delegação. A iniciativa reforça o compromisso do Estado com a valorização da educação científica e o protagonismo juvenil.

Entre os participantes está Carlos Antony, de 17 anos, estudante da Escola Estadual Elias Trajano, de Porto Grande. Ao lado dos colegas, ele desenvolveu o projeto RecicloBot, um robô de monitoramento ambiental feito com materiais recicláveis.

“O nosso objetivo era criar uma ferramenta de baixo custo para monitorar a fauna e a flora da Amazônia. Conseguimos desenvolver um protótipo eficiente com peças descartadas e fomos premiados em feiras nacionais. Agora, vamos mostrar que o Amapá também produz ciência de nível internacional”, afirmou Carlos.

Crédito: Luan Macêdo/Seed
Aluno Carlos Antony, da Escola Elias Trajano, de Porto Grande

Outro projeto selecionado foi o Matrix, desenvolvido por Guilherme Alvim, da mesma escola. Trata-se de um óculos de realidade virtual feito com papelão, PVC e garrafas PET, voltado para o ensino imersivo e acessível.

“É praticamente de graça, mas com um grande potencial educacional”, explica o jovem, filho de Maria Graildes, professora de português. Emocionada, ela destaca o papel da escola pública na realização do sonho do filho.

“É um orgulho enorme ver o Guilherme saindo de Porto Grande para o mundo. Ele estudou sempre em escola pública e agora vai mostrar que daqui também saem grandes ideias”, disse a mãe, emocionada.

Crédito: Luan Macêdo/Seed
Guilherme Alvim e a mãe, Maria Graildes

Da Escola Estadual Mário Quirino, em Macapá, partiu o projeto orientado pela professora Rose Benedita. Junto com a aluna Débora, ela criou um extrato etílico à base de rosa do deserto e citronela, capaz de eliminar larvas do mosquito Aedes aegypti.

“Foram meses de pesquisa, quase 800 larvas avaliadas, e resultados com 100% de letalidade. É um produto eficiente, volátil, orgânico e que não agride o meio ambiente. Chegar até Nova York é uma conquista da ciência feita na escola pública”, afirmou a professora.

A pesquisa tem potencial inédito:  Não há registros anteriores na literatura científica sobre o uso da rosa do deserto com essa finalidade, o que pode tornar o projeto pioneiro em nível internacional.

“Estamos com uma expectativa enorme. É uma honra representar o nosso estado e mostrar que é possível fazer ciência com criatividade e responsabilidade ambiental”, disse Débora.

Crédito: Luan Macêdo/Seed
Professora Rose Benedita com a aluna Débora, da Escola Mário Quirino

Ao todo, foram inscritos 2.723 projetos de 84 países, mas apenas 832 foram selecionados para a Genius Olympiad. Do Brasil, apenas 33 projetos conquistaram essa vaga e três deles são do Amapá. A conquista foi possível graças a parceria da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Setec), que garantiram passagens, hospedagem e alimentação dos alunos e professores. Todos os projetos passaram anteriormente pela Feira de Ciências e Engenharia do Estado do Amapá (Feceap), Mostra de Ciência e Tecnologia do Instituto Açai (MCTIA) e Mostratec, mostrando que as feiras regionais são a base para a internacionalização da ciência feita nas escolas públicas do estado.

O professor Glauber Ribeiro, orientador de dois dos três projetos selecionados, enfatizou o impacto da oportunidade.

“Esse momento é a prova de que investir em feiras como a Feceap abre portas. Hoje estamos indo para uma das maiores feiras do mundo, graças ao incentivo da Seed e da Setec. É uma conquista de toda a rede pública do Amapá”, afirmou.

Crédito: Luan Macêdo/Seed
Professor orientador Glauber Ribeiro

O Genius Olympiad

A Olimpíada Genius é uma competição internacional de projetos para o ensino médio sobre questões ambientais. É fundada e organizada pela Terra Science and Education e sediada pelo Instituto de Tecnologia de Rochester. A Olimpíada GENIUS sedia projetos em oito disciplinas com foco ambiental, como: Ciência, Robótica, Discurso, Negócios, Artes, Música, Curta-Metragem e Codificação. 

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