sexta-feira, 16 de outubro de 2026

REDE DE PROTEÇÃO

Com esforço contínuo de profissionais da saúde, Governo do Amapá atua no monitoramento das síndromes gripais no estado

Núcleo de Epidemiologia do Hospital da Criança e do Adolescente (HCA) atua 24h, notificando e alimentado sistemas do Ministério da Saúde.

Júnior Nery
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Dados coletados pelos profissionais da saúde norteiam o Governo do Amapá na tomada de decisão na saúde
Dados coletados pelos profissionais da saúde norteiam o Governo do Amapá na tomada de decisão na saúde · Foto: Júnior Nery

Diante do aumento de síndromes respiratórias no Amapá, o Governo do Estado intensificou a vigilância no Hospital da Criança e do Adolescente (HCA), onde funciona o Núcleo de Epidemiologia. O espaço atua 24h no monitoramento, notificação e alimentação de sistemas como o de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (SIVEP-Gripe), do Ministério da Saúde. 

A equipe multiprofissional realiza busca ativa de casos e fornece dados essenciais para a tomada de decisões estratégicas em saúde pública. Desde 2023, devido ao surto daquele ano de Síndrome Respiratórias Aguda Grave (SRAG), a estrutura foi reforçada para operar ininterruptamente, com monitoramento em tempo real de vírus como Influenza, Covid-19 e VSR (Vírus Sincicial Respiratório).

Crédito: Júnior Nery/GEA
Enfermeira Ingrid Martins (centro) e parte da equipe do Núcleo de Epidemiologia do HCA

"Enquanto muitos dormem, nossa vigilância não para. Cada caso notificado permite o monitoramento em tempo real dos casos, ajudando a detectar surtos e prevenir a disseminação de doença”, explica a enfermeira Ingrid Martins, responsável pelo Núcleo de Epidemiologia.

Coleta de dados 24h 

Os dados são analisados semanalmente, gerando boletins que orientam desde a alocação de leitos até campanhas de vacinação. “Nosso calendário começa no domingo e termina no sábado. Estamos fechando na semana 23, mas, desde a semana 20, que foi o pico, já percebemos um declínio dos casos de SRAG. No entanto, a batalha ainda não acabou”, explica a enfermeira.

O desafio, segundo Ingrid, é manter o Ministério da Saúde atualizado com os números das SRAG no HCA. Ela explica que são em função desses dados que o estado cria suas políticas de enfrentamento a surtos como que o Amapá passa nesse momento.

"Sem dados precisos, não há como solicitar mais medicamentos, leitos ou equipes. Por isso é importante mantermos uma rede de proteção atenta e eficaz para coletar essas informações. Até os óbitos por SRAG são investigados e registrados pelo Núcleo de Epidemiologia aqui do HCA. Toda a informação acerca dos casos é imprescindível informar. Nosso objetivo é prevenir riscos”, reforça a enfermeira.

Enquanto os números são analisados, as salas de isolamento do HCA recebem pacientes críticos, e as vacinas são oferecidas aos acompanhantes, por meio do Núcleo de Vacinação do HCA, formando uma barreira invisível, mas vital, para que o amanhã seja mais seguro.

Um exemplo desse trabalho em ação é o caso do pequeno Davi Lopes, de 5 meses, internado com síndrome respiratória aguda. "A equipe veio até nós, explicou tudo e acompanhou cada etapa. Não sei bem como funciona esse trabalho, mas sei que é importante para o nosso bem", conta a mãe da criança, Francilene Lopes, agradecida pela prontidão no atendimento.

Crédito: Júnior Nery/GEA
Francilene Lopes, mãe do pequeno Davi, de 5 meses, acometido por síndrome respiratória

Curva epidemiológica

Dados do Núcleo Epidemiológico do HCA revelam que os casos de síndromes gripais no estado começaram a se intensificar em março, atingindo o ápice em maio, mas já apresentam os primeiros sinais de redução.

A 20ª semana epidemiológica, de 11 a 17 de maio, registrou 320 pacientes com sintomas leves de gripe e 33 com síndrome respiratória aguda grave; já a 21ª semana marcou 294 casos de síndrome gripal e 51 de SRAG.

No entanto, na 22ª semana, que compreende os dias 25 a 31 de maio, os boletins apontam uma queda de 14,29%, com 36 internações por SRAG. Um sinal de que a curva epidêmica pode estar começando a declinar no estado.

"Apesar da queda nos números do boletim epidemiológico, a situação no Amapá segue crítica. O estado permanece em decreto de emergência epidemiológica. Não podemos baixar a guarda", avalia Ingrid. 

A expectativa é que, com o fim do período mais crítico das chuvas e a intensificação das ações de prevenção, as internações continuem diminuindo a partir da segunda quinzena de junho. Os profissionais de saúde reforçam a importância da vacinação e do diagnóstico precoce para evitar novos surtos. Enquanto isso, a rede de monitoramento segue em alerta, acompanhando cada caso para garantir uma resposta rápida e eficiente.

Crédito: Júnior Nery/GEA
Vigilância 24h para notificar pacientes pediátricos com SRAG

Taxa de internação HCA

Na sexta-feira, 6, equipes do Ministério da Saúde chegaram ao estado para avaliar o cenário e buscar estratégias que ajudem a desafogar o atendimento nas unidades hospitalares e conter o avanço dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).

A chegada dos profissionais faz parte das medidas adotadas pelo Governo do Amapá para enfrentamento do surto. Além disso, foram abertos novos leitos clínicos, salas vermelhas semi-intensivas, e brancas projetadas especificamente para minimizar a contaminação.

O HCA e o PAI estão com 100% de ocupação, com 33 internações clínicas e 20 em UTI pediátrica pela SRAG. Até o momento, quatro mortes foram confirmadas, sendo três por Influenza e uma por Vírus Sincicial Respiratório.

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