Esta nova espécie de lagarto apresenta suas patas bastante reduzidas e dedos vestigiais, se assemelhando bastante às serpentes. Esta característica confere ao animal a capacidade de viver abaixo do nível do folhiço na floresta, sendo considerado semi-fossorial (animais que vivem a vida toda ou parte dela em baixo da terra).
O único exemplar conhecido de Bachia Remota, portanto, até o momento sendo considerada como uma espécie rara, foi coletado pelo pesquisador do Iepa Jucivaldo Dias Lima e sua equipe no ano de 2005. Durante quase uma década, permaneceu como espécie indeterminada na coleção científica do Instituto.
Apesar da suspeita inicial do exemplar se tratar de uma nova espécie, a confirmação só veio em 2014 quando o pesquisador Marco Antônio Ribeiro Júnior (ex-aluno de doutorado do MPEG) comparou suas características com as de outras espécies já conhecidas deste grupo. Após minuciosas comparações, Bachia Remota se consolidou como uma espécie até então desconhecida pela ciência. “Nossa diversidade de espécies continua subestimada; precisamos conhecê-las melhor para podermos protegê-las”, disse Jucivaldo Dias.
Na preparação do manuscrito para publicação, Marco Antônio e Jucivaldo contaram ainda com a ajuda de Marcélia Basto da Silva (aluna do MPEG), na confecção das pranchas com as imagens do exemplar e mapa. A descoberta foi reconhecida e publicada em revista científica internacional da área (A Herpetologica). A descoberta de Bachia Remota evidencia o quanto é pouco conhecida a biodiversidade do Amapá, da Amazônia e da América do Sul, e reforça a necessidade de novas pesquisas para que a lacuna de conhecimento sobre a diversidade amazônica diminua.
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